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domingo, 16 de junho de 2013

Reflections on family and such


Before I go on about family:
Sometimes (a lot of them, actually) I think this exclusive motherhood business is going to drive me crazy. Or perhaps the exclusive motherhood in a tiny apartment business...that sounds better. I'm tired of sitting between the same four walls, between couch and wall, between bed and wall, between chair and wall. And doing the same things over and over and over and over again.
I know that these things which seem so repetitive do change over time, in a very slow upward spiral direction, and that gives me hope. I have to actively notice these changes, however, or else I have the false belief that nothing ever changes.

My family. I miss my family in an odd way. I never noticed before how much of my identity comes from them. A LOT of it. Now that they are all spread out across the country and continents, I realize their importance. What are we like, as a family? I always presumed we didn't have many "family" characteristics, but we do.
Let's see. First thing I would definitely mention is our low attachment to material things. This is an important value that was passed on to me. We have money, but we don't have expensive things. And when we do, they are not of utter importance and their absence is not significant. We make do with what we have available, whether of great wealth or not. I can make a toy out of a bottle and beans just as easily as with a trendy Fisher-Price gadget.  I think this will be passed on to Cora, for I demonstrate this to her with all of her "things", be them clothes, toys or accessories. No one thing is irreplaceable or priceless.

As a family, we value experiences over material things. Education, there's a strong one. Ever since I can remember I was taught the value of studying and investing in personal betterment.

Oddly enough, we value experience over people, as well. In the sense that we leave each other free to pursue what is best for each one. This comes at a price, but both my parents decided at a young age that this personal independence is more valuable than supposed family union at the price of freedom of thought and ways. This has also trickled down to us daughters and is one of the trickiest matters I have to negotiate all the time in my new family. My in-law family does not live by this motto. Actually, this seems to spear them in the heart and all they hold valuable. I've been feeling like a total witch these last few months because in order to be true to me, many a time (MANY) I have to frustrate them and what they believe to be true. I wish they could realize that I am not a threat - that me having my distance and personal independence does not mean I am trying to destroy family or whatnot. But how do I deal with a family who believes that happiness comes from family that my happiness (and therefore that of their granddaughter) can come from being a little less in herd family mode? How do I deal with this if in order for me to be "happy," I apparently have to make them "unhappy?" Tricky business.

Back to my family.
In the same manner that we are not held by family legions or traditions, we are also not particulary patriotic or have a strong sense of roots. We look forward and beyond frontiers and borders. My sister and I were raised for the world. My mother and father, in their own way, left their small town families behind to live the world. I do not want to give this up, and I believe tha tif I do, all that I know to be me will wither away and suffer. This is one of the strongest things I value and that make me feel especially happy. The world, the traveling, the learning and exploring. I will never be content in just one corner of this big wide world. Luckily, I believe Ez and I have this affinity. Although his drive may not be as clear or strong as mine, he does have it. And that propels us into the future, with common plans and dreams.

sábado, 27 de abril de 2013

I am still very much a baby


In a good way.
What I mean is:

Here I am, sitting on the floor of a dark room, beside my daughter who has just fallen asleep to the sound of lullabies and the touch of my warm lap...and I lay her down in bed and tuck her in with Bunny, my old Bunny who heard a lot of my tears and kept a lot of my company when I most needed it...
I lay here with him when I feel particularly vulnerable, when I feel like we both need some sheltering form the world.

I worry. I worry I won't be able to shelter her for too much longer, and that breaks my heart. I know that's the deal, I know children aren't ours to shelter forever and so on...but still, it breaks my heart. She's a tiny baby, for christ's sake. I think I should be very well justified in protecting her like a mama LION from annoying family comments and interventions with her. Family scares me more, much more, than any stranger on the street with inconvenient nosing in. At least they are strangers I never have to see again. Family, no. Family I see over and over and over again. Family has power over decisions, over self-image, over ways of doing things.
I hate so many things about how some people treat her, disrespect her. It drives me nuts. Nuts? No, it drives me bloody rabies mad. So when I lay her down with bunny, when I kiss her goodnight over and over again, when I imagine all her owl-angels, I really am seeing me there as well, laying down with her, sheltered down there with her.

She's my best guardian angel.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Me, Myself and Cora



Desde que ela nasceu, a presença da família está maciça em cima de nós. Com boas intenções, claro, e dão uma ajuda certamente muito muito valiosa. Me ajudam para caramba. Mas tem horas que preciso dizer CHEGA e me conceder um tempinho só nós duas. Tipo hoje. Ela estava bem agoniadinha ontem e hoje, com dificuldade de dormir por mais de 15 minutos por vez durante o dia. Aí hoje eu tinha um compromisso à tarde que foi cancelado e não contei para ninguém. Decidi ficar sozinha agora com ela, e estou aliviada. Vendo TV, trabalhando e ela desmaiada aqui no sofá, pois dormiu nos meus braços assim que chegamos em casa. 

Só para você ver...ficam com medo de me deixar sozinha porque ela está "difícil", mas temos certa sintonia e nos entendemos às vezes muito melhor quando todo mundo LET US BE. Eu sei que ela me sente 100% e estas "agonias" tem muito a ver com minhas próprias. Eu sinto meu coração gritar NÃO!! Quando alguém sugere que "vai ficar com ela para dar um descanso para a mamãe." Não quero isso! Não preciso me afastar dela para descansar, muito pelo contrário. 

Minha pequena...a mamãe ta tentando aprender a botar os limites e aprender que o jeito dela vale a pena ser defendido, não importa o que os outros possam pensar. 
Feliz quatro meses. Te amo da ponta do pé à sua cabeça cheirosa e macia. 


A gente se entende, né chulipa?


sábado, 14 de julho de 2012

Montando casa - parafusos e bebês


Como dois jovens adultos saindo de casa pela primeira vez, ainda mais para já constituirmos família própria, há uma certa pressão implícita, quando não bastante explícita, para que nos provemos capazes, responsáveis, independentes e com juízo.

É por isso que ninguém vai ficar sabendo do incidente das cortinas e milhões de outros percalços no caminho que encontramos hoje enquanto teimosamente insistimos em montar muitas partes da casa nós mesmos.

Dois signos de fogo, ambos felinos na nossa honra e orgulho, não queremos dar o braço a torcer que talvez poderiamos ter pedido ajuda...mas enfim, nem pensamos que seria preciso, de tão confiantes que somos.
Até que a primeira cortina se instala e percebemos que, detalhe dos detalhes, instalamos os suportes um pouco aquém do tamanho da janela e isso faz uma diferença danada...quer dizer que temos uma janela de, digamos, 2 metros e uma cortina bem no meio dela cobrindo, hmm, digamos, 1 metro e cinquenta...

É perceber depois de ter encomendado as prateleiras de vidro (com tanto orgulho! encomendei, paguei e busquei sozinha!) Não tem lugar para elas do jeito que haviamos pensado. Sabia que parafuso não se instala no meio da cerâmica? Pois bem, não. Isso ficou óbvio quando estavamos com a furadeira em mão olhando para a parede do banheiro, mas na hora de tirar as medidas e imaginar as prateleiras, por algum motivo, isso nos escapou.  Então temos uma prateleira em um lugar de gente normal e uma comicamente colocada parte dentro do box e parte fora. Talvez prove ser útil e bem funcional, vai saber.

Ai de nós quando os pais ficarem sabendo. Por isso vamos nos esforçar ao máximo para que isso não aconteça...ninguém vai usar o banheiro quando for visitar, hehe, vamos levar todo mundo o mais rápido possivel para comer fora. E nada de entrarem no apartamento até a gente ter tirado a maldita cortina da sala, reinstalado a nova e coberto os buracos que denunciam nossa juvenil prepotência e ignorância!!

Mas o resto está indo bem. Nos assustamos com compras rápidas que facilmente chegam aos mil reais, o bebê chuta forte forte no caixa, devido a minha adrenalina de passar o cartão. Tirando isso...conseguimos fazer bastante e estou aprendendo muito mais sobre cortinas, parafusos, instalações e preços variados de Brasilia do que jamais imaginei saber.

E a cada canto que sujamos de pó da furadeira, a cada buraco errado que furamos, a cada vez que deitamos exaustos na cama para descansar até a próxima rodada de trabalho, aquele lugar vai se tornando nosso e vai ganhando vida.

Ainda não acredito que vamos estar MORANDO lá, os dois, depois os três. Eu sou meio problemática com mudanças. Mudanças de casa, mudança de companhia, de vida, isso tudo me desnorteia imensamente. Estou preocupada de que três mudanças tão grandes quanto sair da casa da minha mão, ir morar junto com meu namorado e ter um bebê estejam tão próximas uma da outra. Rezo para que possa ter me ajustado pelo menos razoavelmente até setembro, até ela chegar. Deus me dê uma forcinha?

Sofia-emilia-olivia mexe com mais ímpeto agora, ou pelo menos nesses últimos dias. Parece que tem passado mais tempo acordada/mexendo que antes. Não sei se isso se deve à minha ansiedade crescente, pode ser, provavelmente é? Não tenho dormido direito faz três noites agora.

Tudo está tão real e concreto e ao mesmo tempo me pego várias vezes por dia levando sustos ao me dar conta que, sim está tudo acontecendo, sim haverá um bebê em pouco tempo entre nós, uma filha. Não consigo fazer com minha mente pequenina entenda esse conceito. É gigantesco, é além da cognição. Eu, mãe. Nós, pais.
Realmente...forcinha aí deus...grata

domingo, 26 de junho de 2011

As fotos


Estou organizando todas as fotos da casa.
De 19 e bolinha até 2011...
Todas.
As fotos se espalham pelo chão do quarto e vão se amontoando em épocas...aos poucos vou filtrando-as por ano e por eras e assim vou recriando a minha história.
Quando fomos pro Peru...
O casamento dos meus pais...
Quando viemos para Brasilia
Aqui eu já tinha 8...ou era 9?
Deus me livre, entrando na adolescência...tadinha de mim...

Algumas épocas me causam mais dor que outras, uma dor involuntária, reflexa, tal como o martelo no joelho.
Depois de olhar e organizar vou para a cozinha ferver água e a melancolia toma conta junto com o bittersweet do café. É difícil dar-me conta do que aconteceu, porque fiquei triste "de repente"...um gradual que vira de repente, na verdade.
Então me ilumino e me toco...tem coisas que vibram em mim profundamente, como me ver aos 11 e  ver sem máscaras a ansiedade que eu já sentia, o medo e o isolamento. Vejo no meu rosto e no meu corpo desajeitado a falta que sentia da minha mãe, tremenda falta, mesmo estando do meu lado.
Vejo as fotos de quando meu pai começou a ser visita aqui em casa e para minha surpresa, é justo nessa época que o coelinho, o Bunny, começa a estar presente em toda foto, um talismã, um cobertor de segurança. Engraçado o que não enxergamos a não ser de uma distância. 

Outra épocas me dão calor no coração...ver o começo do casamento dos meus pais, como começou a vida da minha mãe, da minha idade começando a aventura de sua vida. Chegando aos EUA, nem sonhava que se casaria e logo depois chegaria eu.  Alí estou, cheia de vestidos e pezinhos, e logo em seguida a irmã e mais poses e serelepices.
Eu olho pra ela(s) e procuro eu. 
E eu, mãe? Você me levou até aqui, estamos aqui...e agora? 
Minhas fotos serão como daqui uns anos?
Sinto que organizo o passado para abrir espaço para o futuro.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Wednesday-Thursday


It's almost midnight as I write this and will be long after midnight when I finish.

I'm not quite sure I understand what it means to be grown-up.
I know that many of us don't really get it...

Comingo tende a ser "tudo ou nada" - ou vale a pena ou não vale nenhuma pena. Dias mais ou menos são dias terríveis. Sei que cometo esse pecado de extremos. Às vezes um dia terrível é melhor que um dia mais ou menos. Aliás, dias mais ou menos acabam virando terríveis pelo vazio de sentido que me provocam.

Sometimes I look at the pictures on my mural...a collection of several life moments, a lifespan.....and I look at my young mother, at my father...in all these different ages and years gone by and I think: you've left me a hole in my heart. You don't know how big it is, how hard it was to be away from each one. How hard it was to come to terms with the fact that being with one meant losing the other.

Sometimes it scares me to realize it will always be there and I will feel the pressure closing in on it everytime I have to live loss, no matter how small it may be.
Listen to this: http://www.youtube.com/watch?v=WB4dAdPu_lg

So today I wrote a song for you
Cause a day can get so long
And I know its hard to make it through
When you say there's something wrong

So I'm trying to put it right
Cause I want to love you with my heart
All this trying has made me tight
And I don't know even where to start

Maybe that's a start

Cause you know its a simple game
That you play filling up your head with rain
And you know you are hiding from your pain
In the way, in the way you say your name

And I see you
Hiding your face in your hands
Flying so you won't land
You think no one understands
No one understands

So you hunch your shoulders and you shake your head
And your throat is aching but you swear
No one hurts you, nothing could be sad
Anyway you're not here enough to care

And you're so tired you don't sleep at night
As your heart is trying to mend
You keep it quiet but you think you might
Disappear before the end

And it's strange that you cannot find
Any strength to even try
To find a voice to speak your mind
When you do, all you wanna do is cry

Well maybe you should cry

And I see you hiding your face in your hands
Talking bout far-away lands
You think no one understands
Listen to my hands
And all of this life
Moves around you
For all that you claim
You're standing still
You are moving too

You are moving too
You are moving too


I will move you 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Dad Here

Funny having my dad here.
Funny getting home and seeing his shirts hanging by the window and have his Flex shampoo smell in the house as soon as I walk in. It's nice, though, don't get me wrong. Funny and nice. A pleasant difference in my routine.

And funny the way it is...I wrote about psychology the last post and missing it and all that...But during class I was not missing it at all, I actually missed my baby-students. I felt nauseous and uneasy with all the Buber talk, all the therapy talk. I felt sick when the professor went on and on about existential difficulties and impossibilites, corroborating all my recent soul-seeking and questioning.

So, go figure.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Um pouco de Autobio




Forse non riuscirò a darti il meglio...

Mas ninguém adoece do nada. Freud fala em estrutura e cristais que quebram. Não sei se é a melhor descrição do processo, mas algo na imagem do cristal rachando me atrai. A rachadura acontece nos pontos de maior pressão, quando as defesas não dão mais conta e a resistência se quebra. Não sou nenhuma expert de psicanálise (nem simpatizo muito com a abordagem), mas é esse o meu entendimento do que aconteceu.

Posso dizer que fui uma criança-cristal bonitinha, cheia de vida, promessa e alegria. O começo dessa criança poderia ser o encontro de seus pais, mas para mim não é. O meu começo surge aos poucos, com memórias cheias de névoa em volta, mas altamente significativas.

Elas remontam a dias constantemente ensolarados e a uma menina loira que sempre estava com um vestido florido. Não é uma memória romantizada, pois morávamos em Lima, Peru, onde a palavra “chuva” não existia. Eis a parte do sol. Filha de um americano legítimo meus primeiros cachos esbanjavam minha carga genética. Eis a “loirice”. E finalmente, minha mãe conta que eu escolhia um vestido para usar e não tirava mais até ficar encardido. Aí escolhia outro... Eis a parte dos vestidos. 

Como deve acontecer com todo mundo, não sei o quanto que minhas lembranças longínquas são lembranças mesmo ou histórias imaginadas em cima de fotos. Seja como for, a sensação que ficou foi a desse sol eterno. Tudo era quente, confortável e saudável. Nessa época, nasceu minha irmã e meus pais viveram o auge do casamento deles. Eu era uma borboleta que flutuava no meio de tudo isso, sempre cercada de amigas, festas e brincadeiras.

Depois de três anos, voltamos para os EUA e lá vivemos mais um ano. Aos meus sete anos a família peregrinou de volta para o Brasil, ao pedido desesperado de minha mãe. Brasileira de samba, carnaval e sol, o inverno emocional e climático da Carolina do Norte era rígido demais para ela.

Assim pai, mãe, filha e bebê foram parar no Planalto Central, em uma cidade recém nascida chamada Brasília. Mais uma escola, mais uma casa, mais uma vizinhança, mas era ainda pequena demais para sentir o choque da mudança. Acho que seria a última mudança indolor daí pra frente.

Poderia adentrar nos detalhes de nossas vidas no cerrado estranho, nas fronteiras de Brasília onde não existia nem farmácia. Poderia contar dos meus pais e o projeto de construir o hospital veterinário, a nossa nova casa e a nossa nova vida. Mas o que quero contar é das muitas tardes após a escola passadas brincando nos montes de areia de construção, das aventuras que eu vivia na selva do cerrado e de minha crescente tendência a me isolar nesses mundos fantásticos.

Claro, eu ia à escola, tinha amigos, amigas, mas nunca mais foi a mesma coisa que tinha sido alguns anos antes. Talvez fosse a distância da minha casa do resto do mundo, ou a minha dificuldade inicial com o português que nunca fora minha primeira língua. Só sei que meus colegas pareciam viver em realidades tão diferentes da minha! Desde então muito dona-de-mim, decidi não me preocupar com essa discrepância e continuar vivendo da maneira que sabia. Acho que meus pais não se atentaram a essa mudança sutil em mim, pois estavam muito ocupados com seus planos e construções. Se perceberam, acho que pensaram que não era nada permanente, pois eles sempre me conheceram como a criança-borboleta e talvez achassem muito improvável algo acontecer que mudasse isso.

Esse pedaço da minha vida durou um outro ano e sem que eu tivesse percebido qualquer coisa entre eles, meus pais decidiram se divorciar. Hoje, olhando para trás, me pergunto se era realmente possível eu não ter percebido nada mesmo, nem uma briga, um olhar atravessado, um clima hostil. Não entendo bem desses mecanismos que a mente tem de ser preservar de situações difíceis, mas pode ser que eu bloqueei tudo mesmo.

Foi tudo muito rápido, muito limpo e ordenado, algo que estabeleceu o molde de como tudo seria daí em diante e como eu também deveria lidar com as circunstâncias (calmamente, racionalmente e pronto!). Eles sentaram comigo após a única briga que lembro e me explicaram a situação:
- Papai e Mamãe vão se separar, Papai não vai morar mais aqui, mas não quer dizer que ele não te ame, a gente vai se visitar o tempo todo, etc....
E eu, como uma menina-moçinha bem madura e razoável entendi tudo e até me lembro de ficar consolando meu pai. Tudo bem, Pai, eu vou ficar bem, não se preocupe. E foi assim... Ele partiu e não me lembro nada desse dia, não sei como foram os meses seguintes em casa sem ele. Não me lembro da reação da minha irmã...

O que lembro mesmo são as mil e tantas viagens que vieram como conseqüência de tal separação internacional. Era um tal de buscar pai no aeroporto, deixar pai no aeroporto, ir para o aeroporto de mochilinha, passaporte, irmã mais nova e meu coelho de pelúcia, o Bunny. Transbrasil, Varig...Um tal de despedidas, chegadas, despedidas, chegadas. Rapidamente essa rotina de rupturas foi se tornando a parte mais temida do ano. Nessa época, com oito, nove e dez anos, as partidas de avião eram partidas no meu coração, mas era uma dor que tinha que ser, pois era obrigação minha como filha-moçinha-madura-e-razoável ir visitar o pobrezinho-do-meu-pai-que-estava-tão-sozinho-em-outro-continente. Na verdade nem sentia como obrigação, mas sim algo que filhos fazem, devem fazer, pois os pais fazem falta e nós sentimos sua falta.  Ou mais simplesmente, era a vida e ponto final.

Aos dez anos, foi a vez do meu pai de ter-nos morando com ele. Foi meu primeiro ano fora sem ser de férias, vivendo mesmo nos EUA. Também foi meu primeiro ano sem minha mãe. Foi nesse ano que os EUA em si começaram a ser equiparados com trauma e não a viagem-despedida-chegada. Sentia uma falta absurda da minha mãe, chorava como uma condenada quando voltava das férias do Brasil e quando minha mãe ia embora de suas visitas. Chorava de ódio daquela situação, ódio de não ter opção, ódio de estarem levando minha mãe.

Foi nesse ano que engordei os quilos que iriam me acompanhar odiosamente pelos próximos anos. Olhando assim depois de muito tempo, vejo que foi o ano em que aprendi a criar uma barreira em volta de mim, barreira de introspecção, de ser estudiosa, de ser responsável, de ser tudo que os outros desejavam de mim, mesmo antes deles mesmos saberem. Aprendi a ser um sucesso entre os adultos que admiravam minha maturidade, inteligência e perspicácia. Ao mesmo tempo aprendi a esconder meu sofrimento, pois precisava continuar sendo forte, madura. Não podia preocupar meus pais já tão preocupados por si só. Ao mesmo tempo consegui descontar muito disso num acting out poderoso com a nova namorada (e logo depois, noiva) do meu pai. Foi a única situação em que não era uma menina super madura e adorável. Fui o inferno na vida dela e não entendia porque não conseguia me controlar, sabendo do sofrimento que causava. Tinha os sentidos aguçados para captar todas suas carências e sensibilidades e conseguia levá-la na palma da minha mão, fazendo tudo que eu queria para depois dispensá-la ou desprezá-la. Depois eu chorava, chutava, mas nada demais foi feito, meu pai até parecia se divertir com o desespero que ela vivia comigo. 

 Aprendi a ser um enigma para meus colegas de escola, alguém que não pertencia ao mundo normal de ser criança. Só deixava entrar no meu mundo quem eu sentia estar no mesmo barco que eu, talvez num movimento de projeção e identificação. Acolhia essas pessoas que, como eu, sofriam com as conseqüências de serem responsáveis e maduros demais e as amizades eram profundas e de alma.

A inocência da infância definitivamente havia passado.


Eventualmente voltei para o Brasil e chorei de ódio de ter que deixar meu pai. Além disso, tinha que viver com a revolta da minha mãe dos meus quilos a mais, como que meu pai havia permitido? Onde estava a filha linda dela? Oficialmente se instalou meu complexo de ser patinha feia, gorda e socialmente um caso perdido. Nem gringa nem brasileira. Nem lá nem cá.

 Daí pra frente cada viagem foi um choro constante de ódio. Claro que não entendia ser ódio na época. Para mim era somente tristeza, saudades... Mas ao mesmo tempo sabia que esses sentimentos não faziam jus à força do sentimento e choro que vinham. Cada primeiro dia em cada país pedia tanto de mim, um ajuste total no meu cérebro. Um dia estava na casa do meu pai com o tapete, a televisão em inglês, o cereal com leite de manhã e historinhas na hora de dormir e no outro estava na cozinha azulejada da minha mãe, comendo pão francês, presunto e queijo diante de uma televisão que coloria a sala azul com o Jornal Nacional. Uma hora atrás escutava aquelas vozes sérias no noticiário no carro do meu pai em inglês (good ol’ NPR) e agora escutava a Fátima Bernardes me desejar uma boa noite simpaticamente em português (“O Jornal Nacional termina por aqui, boa noite”). Essas mudanças bruscas faziam e ainda fazem girar minha cabeça.

E assim os anos passaram, uma viagem de avião atrás o outro. Fui me familiarizando com o ciclo de dor, adaptação, bem-estar, insegurança, dor e aprendendo a me resignar a ele. Não tinha como escapar, por mais que eu inventasse estratégias para me enganar, como cantar minha música predileta ou fingir que era uma astronauta em uma missão super especial. As brincadeiras não me protegiam da tortura do ir e vir e lembro de como era amargo perceber isso, como uma traição odiosa. “Ontem a gente combinou que ia dar certo, lembra? Que não haveria lágrimas, que os pontos da cicatriz tão custosamente fechada não se abririam nessa explosão de dor!”.

Não me ocorria dizer nada aos meus pais, pois eu acreditava que iria criar mais problemas. Não entendia que havia opção nisso tudo. 

Acho que foi por isso que, entre as viagens, vivia de forma mais esquiva possível de qualquer coisa que me trouxesse ansiedade. Já que podia fugir, fugia. Então fugi ainda mais dos colegas, de uma vida social. Refugiava-me nos estudos, me tornando aquela aluna brilhante que mencionei antes. Refugiava-me nos fundos do hospital veterinário que era nossa casa, cheio de personagens que compunham minha estranha família. Era veterinário, funcionário, empregada, mãe que passava voando pelos corredores pra lá e pra cá. Refugiava-me nos meus passatempos de pré-adolescente solitária. Não tinha T.V. a cabo então o auge do meu dia era assistir os noticiários e as novelas e, eventualmente, Globo Repórter! Um luxo, uma conquista, conseguir ficar acordada até depois da novela! Desenhava, escrevia, lia e inventava projetos tais como pintar meu quarto ou observar os clientes com seus animais na recepção enquanto minha mãe ia e vinha no frenesi de sempre sem tempo nem energia pra estar comigo e minha irmã. Mas claro, eu entendia e nunca cobrava. 

Não é de surpreender que as línguas fossem algo fácil pra aprender, dado todo o contexto multicultural e internacional no qual estava imersa. Além do pluralismo da minha família e dos países onde havia vivido, tinha o fato de que as amizades que eu fazia eram, "curiosamente", com as crianças que viam de outros países e continentes, filhos de diplomatas que constantemente alçavam vôo para novos lugares. Semelhantes se atraem, mas apesar de ser parecida, minha situação era tão diferente! Em primeiro lugar, eles viajavam juntos, não se separavam. Eles não tinham raízes falsas (na época achava que eram falsas, hoje entendo mais como raízes quase que voláteis, transplantáveis, bifurcadas...complexas!) como as minhas, que eram arrancadas a cada quatro meses, mais ou menos. Suas viagens eram aventuras, protegidas pelas asas dos pais. As minhas eram empurrões em um vazio da atmosfera, a milhares de metros sobre qualquer proteção. Trocávamos histórias e pesares de viagens e readaptações, mas rapidamente me dei conta que estávamos falando quase que em dimensões diferentes e isso aumentava minha solidão.

Mas pelo menos eles sabiam o que era falar mais de uma língua em casa, invernos com neve, ter conhecido diferenças culturais na pele e a sensação de ter que se despedir de pessoas queridas... Pelo menos eu tinha uma turma mais ou menos normal, com conversas, brincadeiras e brigas de meninas pré-adolescentes. Nunca falei para ninguém sobre minha vida particular-emocional e o peso que as viagens estavam tendo sobre mim. Confessar isso seria confessar não ser uma boa filha, não gostar de “viagens de férias” e de todos os delites que elas achavam que a vida nos EUA oferecia. Seria ser estranha e anormal, então me calei.

Então me calei.

Isso me leva ao post "1999", onde a história continua...

domingo, 30 de janeiro de 2011

eu sou...


Nossa, você é a cópia do seu pai
Sua irmã tá a sua gêmea!
O seu jeito, é todo da sua mãe...
Sua irmã é igual sua mãe, é toda Thais.
Você é uma Johnson through and through!
Mas só os Bellomo's têm esse cabelo
A altura é gringa
o jeito é esse
o ar é outro
...
e eu, sou?


Woke up in the middle of the night, heart pounding fast and anxiety at 110%. There was a dream, something about my dad, something about him coming here. 
He's coming in 4 days, and for some reason this really freaked me out in the dream, like when the world goes topsy turvy.
I don't know.
I don't.
I mean, he hasn't been here since 2005, once again this whole situation is going to happen, where I have to re-introduce him into my life. We've seen each other since, but always there, in his life, in my old life. Something about him coming here always makes me uneasy. I keep wondering, how will he fit in? Will he like what my life is like? Him and my mom together in the house, how will that be? Will she be patient with him, will they do things together or will it all be on me? Will there be many questions about plans and future and intentions? I hope not. 

I know none of it will come to the point of my nightmares, but I can't help but be aprehensive; these visits always catch me by surprise in so many ways.

Many things happening this week, actually, not just the visit. There's the first week of school and my adaptation (as well as the kid's), there's Paula moving out of the house after 7-8 years with us, there's the psychiatrist after 4 months without a visit...there's a weekend of classes after so many months of mental chaos about the whole thing. Hopefully I can get my translation into somebody's hand, someone who will actually read it and feel they can do something with it. *fingers crossed*.

Well, em suma, good morning. Need to get my cup of coffee! tcho. 

domingo, 23 de janeiro de 2011

Albachiara


Let's hand it over to Vasco Rossi...
http://www.youtube.com/watch?v=IEj8vyNZAJI

Albachiara

Respiri piano per non far rumore
ti addormenti di sera
ti risvegli con sole
sei chiara come un'alba
sei fresca come l'aria
diventi rossa se qualcuno ti guarda
e sei fantastica quando sei assorta
nei tuoi problemi
nei tuoi pensieri

ti vesti svogliatamente
non metti mai niente che possa tirare attenzione
un particolare, solo per farti guardare

e con la faccia pulita cammini per strada
mangiando una mela
coi libri di scuola
ti piace studiare
non te ne devi vergognare

e quando guardi con quegli occhi grandi
forse un po' troppo sinceri
se vedi quello che pensi
quello che sogni
qualche volta fai pensieri strani
con una mano ti sfiori
tu sola dentro a una stanza
e tutto il mondo fuori...


tutto il mondo fuori!!


Years of ackward teenagedom came rushing back to me as I heard critique after critique of my clothes, my body, skin, hair and my glasses.
"Você é uma menina linda, mas
MAS é uma apunhalada no peito...

mas, tem que dar um jeito nisso aqui...cabelo lindo..mas essa franja...(puta merda, as pessoas não entendem que não posso fazer nada agora, ela tem que crescer?!?)
mas, e esses óculos?
mas, a pele...
mas, essa blusa velha, não dá!

Eu sei que nem todo mundo tem que ter a sensibilidade de saber que já passei muitos anos da minha vida sobre-peso, com as roupas "erradas" e fora da moda, escondida e criticada pela minha mãe, desesperada para ter uma filha "bonita" e "normal". Que parasse de ler um pouco. Que dançasse um samba.

Depois de um tempo parei de ler quase totalmente. Aquele ano de 2007 em que parte da minha alma foi sugada e leitura era impossível. Em 2009 dancei um samba...parei...mas enfim estava em um lugar que ninguém falava muito mais do peso, do cabelo, o jeito, do assim e assado. Da pele talvez sim, essa nunca deu  muita trégua.
Ai nesses últimos meses pensei em me resgatar um pouco...claro que haveria conseqüências, não posso dizer que estou surpresa.

Today just wasn't my day again.

sábado, 25 de dezembro de 2010

25 de Natal


“Somedays aren’t yours at all, they come and go as if they’re someone else’s day.”

Então, chega.
Tem dias que não são nossos mesmos...e esse 25 de dezembro com certeza não foi o meu.
Acabei de derramar todo o resto do macarrão que seria o meu jantar na pia da cozinha.
Aaaargh!
Acordei 7:30 da manhã de Natal com um alarme, arrancada de pesadelos horríveis com pessoas esquisitas para ir buscar minha irmã no aeroporto, chegando dos US of A para passar essa época de festa aqui nos trópicos.
Passei dia 24 levando minha mãe no aeroporto para ela ir ao 2º o 1º lar dela agora em Pipa, RN e depois fui para a casa onde a família do meu namorado se reuniram para suas tradicionais tradições.
Foi bom, o climazinho de roça, a chuva, o temporal, a falta de luz em alguns momentos, a brincadeira dos presentes, a comiiida gostosa. Sou muito grata a eles e a maneira que me incluem com tanta aceitação e liberdade. Além do mais, ganhei um gato FOM! (Ele se chama Fom)
Mas não foi fácil
Natal sempre me faz refletir sobre minha família e sobre o significado disso tudo. Causa verdadeiros controcionismos mentais.
Minha mãe está contente de estar em Pipa, com novos amigos, isso eu sei, e estou grata de não ter que passar mais um Natal comendo qualquer coisa que tivesse na geladeira e assistindo televisão e ouvindo minha mãe dar o sermão do “a sociedade enfia tanta ladainha na nossa cabeça, Natal é como qualquer outro dia” e ganhando algum presente randômico que não tem nada a ver comigo só porque ela não tem a manha nem a paciência de escolher presentes. Já contei a história do xampú, né?

“This is what Christmas does to us, we put too much meaning in it and it ends up letting us down.”
Acabei de ouvir isso na TV na série com tema natalino que estou assistindo (porque QUALQUER coisa que passa no dia 25 tem que ser de natalino...)

Então, voltemos a história.

Acordei 7:30, acordando ansiosa já mas encarando a bruta realidade, tudo bem, vamos nessa, meu fiel companheiro de aventuras ao meu lado e meu palio...all the way to the airport about an hour away.
So, I’m grumpy.
Aí também tem o pequeno fato que fiquei menstruada no dia antes de *surpresa* (surpresa legallll) e estou com cólica e tremendamente hormonalmente sensível. E com gases. Beleeeza. Com sono, gases e cólica. Ah sim, e nem mencionei que no dia anterior quase morri enfiando uma mão numa faca gigante sem querer e me espetando. Não foi nada demais, mas como diz meu namorado, joguei xadrez com a morte! Foi uma sensação estranhamente bizarra e perturbadora sentir a faca entrando e depois tendo o furinho na mão e uma dor pulsante nos nervos. Então pelo amor de minha necessidade de dramatizar e exagerar, isso estava no campo desta manhã fatídica.
Adicione a tudo isso a ansiedade embutida no pegar um parente no aeroporto vindo dos EUA, algo nada emocional para mim.

Estou insuportável, mas conseguimos chegar até o aeroporto e consigo minimizar a vontade de chorar que fiquei o caminho todo combatendo (isso que só são 9 da manhã).
Ok. Beleza, o vôo dela está no monitor, na hora! Esperamos, esperamos, esperamos.
E nada, nada, nada.
Fome, fome, fome.
Vou comer um pão de queijo e tomar café, ta demorando demais...
Por favor, um café e um pão de queijo...
6 mil reais senhora.
Heiiin?
Ta bom, ta bom, cafeína a esta altura vale 6 mil reais.
Nada de irmã chegar. Estou nervosa, preocupada. Não tenho o número do celular dela e não sei o que fazer...não sai mais ninguém de lá dentro.
Ligo pra mãe, sem sinal.
Ligo pro pai, não está em casa.
Vamos ver Internet, vai que mandaram algum email avisando algum imprevisto?
Sim, sim, vamos!
Oi, por favor balcão de informações, onde há um cybercafé ou lanhouse?
Ah, não tem nada aberto hoje.
Ah.
Obrigada, I think.
Vamos procurar o balcão da Delta.
Não existe balcão da Delta, todos sumiram e só tem um gerentezinho sobrecarregado lidando com pessoas que perderam conexões. Pede para a gente esperar 20 minutos enquanto terminam a “operação de chegada” sem nem escutar o que falávamos.
Tenho a brilhante idéia:
Vamos ligar para alguém na manhã de Natal (acordar alguém, em outras palavras) e pedir para que acessem meu email e ver se tem algo lá que ajude a desvendar o mistério?
Eba, vamos!
Primeira pessoa, não atende.
Segunda pessoa, acordamos e está na cama ainda.
Terceira pessoa, não atende
Quarta pessoa, atende! Muito bom, obrigada Natalia.
Ela liga o computador, entra no meu email e lê o email de Laisa Bellomo: vou chegar no dia 26 porque mudaram meu vôo.
Grrrrrrrrrrr.
Vamos embora. Sem antes pagar 100000 reais por ter estacionado um carro por 3 horas.
Super.
Voltamos para a roça e as festanças natalinas. Estou num humor que Deus me ajude e Deus ajude o Ez.
Chegamos, explicamos o malentendido a todo mundo que aguardava pela chegada da irmã internacional e comemos café da manhã quase meio dia.
Vemos um filme, melhoro um pouco.
Durmo quando era pra almoçar, almoço quando é hora de dormir.
Chove e chove e chove e Ez dorme e dorme.
Leio meu livro com meu recém descoberto astigmatismo e combato ferozmente a dor de cabeça que quer chegar. Sou mais forte, vou ler esse livro!!
Decido ir embora, preciso dar comida aos pobres gatos abandonados e preciso me recompor, estou uma pilha de nervos.
Me despeço com uma clássica crise de choro e chego em casa.
Tomo banho.
Finalmente, talvez algo melhore agora, o choro tem essa capacidade.
Até que ajudou, estou aqui com minha Sony vendo séries que me fazem sentir em casa e me certifiquei que os gatos estão bem e sem ressentimentos por terem passado a noite de Natal sozinhos...
Decido que está na hora de comer,
Voltamos ao início dessa história, o macarrão derramado na pia. Nem me abalei. Quis rir, na verdade. Peguei o resto dos nuggets e pus pra esquentar. Fazer o que...
Agora vou terminar este post para ir comer os benditos nuggets que acabaram queimando porque esqueci deles enquanto escrevia tudo isso. E não tem ketchup. Super! 

Realmente...Let it go.
Desejo a todos um feliz dia 26 de dezembro!!

:)

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Angry


I need to talk about how angry I am, otherwise, I fear I'll explode.

First and foremost, I'll state that I am angry at myself for feeling so out of control and so hostile.  
And then I'll procede to apologize in advance if any of this ranting gets to you.
And then I'll say, this is my post and I should be able to talk about whatever I want. 

I'm angry at my mother. There, I said it. Cliché, but whatever. I'm very angry at her, years of anger that bubble up in seconds of apparent trivialities. I'm angry at her tired looks, her exhaustion, her always making excuses for her tiredness and exhaustion and for all the years she couldn't "be there" because of everything. EVERYTHING. What everything, mom? Oh, I don't know, I'm too tired to talk about it, just need to sleep. Angry at her naps, her neverending naps. Angry at how she gets annoyed at me or at the world every time she does groceries because nobody EVER does them, only her, yet I keep myself from yelling, yes, but who did them the last hundred times?? And who's house is it supposed to be anyway? Yes, I know, I am 24 and perfectly capable of doing the groceries, but I told you, this is a product of years of broiling.

I want to be an adult but away from here. Here I feel like an eternal 13 years old, ackward between her still childness protection and need for care and her newfound responsabilities.  I put away the groceries today dreaming of the time I had my own little apartment for 3 months and did my own groceries and cooked my own food and it all felt good and natural, not bitter and hostile. 

I'm angry at how she doesn't know me at all, how she doesn't care to know me. I'm angry at how, when she does try to ask about something, I respond curtly, acid spilling out of my mouth. It's like I won't give her the chance anymore, and I feel like a horrible person. 

I'm angry that my self-esteem is stuck in this rut and how the more I feel this way, the more it becomes true. I'm angry that I'm so scared to tell anyone how little I think of myself, because I'm scared they'll see it too and walk away. I'm angry because I know it's not true but it feels true. 
I'm angry at myself for the vicious circles.
I'm angry at myself for getting lost in a maze somewhere that took me away from wanting to be a Psychologist. For not paying attention. I don't know what happened and I can only say it's my fault, for what else could it be?  I'm angry at myself for all the self-pitying and self-loathing. AND for being angry at myself. For Pete's sake!!

I'm tired, so much anger drains me. But when I get tired I sound like my mom and that makes me furious. When I pinch my fingers at the beginning of my nose, between my eyes and sigh, I catch myself and want to die, for that is her favorite tired pose. 
I wonder if she's angry at us for making her so tired. I wonder if she's angry at herself for being angry at us.




terça-feira, 13 de julho de 2010

Éramos três



Clack clack clack clack....

Do meu quarto, levanto a cabeça de algum livro e fico de orelhas alertas.
O som aumenta e chega ao corredor.
Clack clack clack....

"Mãeeeee??"

"Oi!?", vem a voz do outro quarto.

"Vem cááááááá!!"

Clack clack clack clack....Ela está na minha porta.

"Que foi, tem que ser rapdinho, tô no meio de uma consulta."

"Nada...só queria dizer oi."

Ela sorri e consente alguns segundos de seu tempo para vir dar um beijo.

E assim como veio, vai...clack clack clack. Volto ao meu livro. 

Tenho 8 anos. Tenho 9. 10.11.12.13.14... Os clacks que anunciavam a presença de minha mãe deviam sempre ser checados, pois presença não queria dizer necessariamente disponibilidade. As vezes não dava para parar na porta e dar um beijo. Muitas vezes era pressa ou crise ou estresse. Mas a gente sempre esperava o momento em que podíamos gritar: "Mãeeeee?".
Era a maldição e a benção de morar no mesmo lugar que era o local de trabalho dela.  Sempre estava ali e nunca sabíamos se realmente estava.

Eu tomo muito cuidado ao falar da minha infância com minha mãe. Tomo extremo cuidado para não passar o clichê de filha esquecida nem o de mãe que vivia para o trabalho. Defendo minha mãe e o que ela teve que fazer com unhas e dentes mas sei que fui uma das mais prejudicadas, junto com minha irmã. E, claro, sem falar da minha própria mãe. Após o divórcio do meu pai, minha mãe se viu diante do desafio de criar 2 filhas pequenas e uma empresa recém-criada que estava em plena expansão, no auge dos anos de carreira e realização profissional. Os 3 bebês eram interdependentes, pois para manter-nos no Brasil com ela, o combinado era que ela deveria poder ter condições financeiras de nos mandar a escolas americanas e poder viajar para visitar meu pai, além de pagar a dívida com ele pela compra do terreno e os custos da construção. Sufoco geral. 
Tomo muito cuidado, mas não posso esconder que é algo que me entristece e que ainda dói. Confesso que não sei como fazer as pazes até hoje pois ainda é uma ferida aberta.

Éramos três; três em quantias flutuantes, pois os anos passados com meu pai dividiram nosso tempo juntas. No começo de sermos três, éramos uma criança, uma bebê e uma mãe solteira. Eu sendo a criança. Morávamos no meio do nada no que hoje é um dos bairros mais afluentes e caros de Brasília. Mas na época, não havia asfalto, supermercado, farmácia ou linha telefônica. Era nós, a terra e o cerrado. Quando não estava na escola, estava inventando a próxima aventura na nossa terra única. Não conhecia as Superquadras e SHIS's dos meus colegas, nem sabia que existiam. Tínhamos espírito de pioneiros e é com certa saudade que eu lembro da época em que batalhávamos contra as tempestades de verão com baldes e panos tentando aplacar as goteiras e das velas que iluminavam muitas noites sem luz. Lembro até hoje da sensação de fazer meu dever de casa a luz de velas no balcão da cozinha. Era nosso lar, cheio de figuras além de nós três que o compunham - uma mistura de veterinários e funcionários que integravam a recém nata e rapidamente famosa Animax. Era família. 
Talvez eu tivesse tido mais facilidade de me resignar a ausência presente de minha mãe do que minha irmã por ter 8 anos e ela 4. Eu tive a presença dela nos meu anos de bebê e agora tinha um orgulho e apego feroz a ela e tentava lhe deixar em paz para que ela pudesse trabalhar e, inevitavelmente, poder descansar também. Quase não saíamos nos fins de semanas, sair de lá para ir no shopping era um evento e tanto, pois tínhamos nossa mãe só para nós. Sem dizer que sempre era sinônimo de compras. Na sua exaustão o que ela tinha para nos dar vinha do que o dinheiro podia comprar. Quando conseguíamos convencê-la de sair para alugar um filme e assistirmos todas juntas, também era um festival. Pipoca e tudo que tinha direito. Quantas vezes, porém, o meu coração partia ao toque do telefone que a chamava para ajudar com algum problema lá no hospital. Eu tinha vontade de gritar quando isso acontecia mas aquela parte madura e sensata falava mais alto "você tem que entender!" e em vez de amargurar, tentava desamargurar minha irmã que não conseguia ser tão "legal" quanto eu. As vezes conseguia distraí-la e envolvê-la no filme e depois em alguma brincadeira.
Muitas vezes não.
E aí eram birras e birras sem fim. Choro, raiva, gritos, mordidas e portas fechadas a estouros. Acho que uma chegou a quebrar. Tinha medo das birras da minha irmã e das reações da minha mãe. Tentava proteger as duas. Tinha raiva da Laisa por não conseguir entender e também da minha mãe por também não conseguir entender. Acho que as birras eram tantas que não deu tempo nem espaço para eu ter uma minha. Seria o cúmulo, duas filhas tendo petis ao mesmo tempo. Ainda mais eu, a mais velha...tinha que ver o comportamento da minha irmã e achá-lo infantil. Eu teria que servir de contraponto nisso tudo, algo que todo mundo não parava de enfatizar: olha como a Maya é madura, gente, é um anjo, é uma sorte danada que ela veio primeira...A garota dos olhos de todos. Que sorte que você não dá trabalho! 

Quando eu "dava trabalho", era causa de espanto. Eu tinha muitos medos, mas como vivia praticamente entre a escola e a ilha deserta que era minha casa, nunca vieram a tona com muita clareza. Além do mais, minha mãe parecia se orgulhar do fato de que eu só queria estar com ela, como se fosse um testamento à nossa relação leal e parceira. Minhas mini-crises eram vistas mais como "ah, está com saudade do pai", ou "ah, está com saudade da mãe", pois comecei a ter crises de choro em volta das viagens que se apresentavam pelo menos 4 vezes por ano indo e vindo dos EUA. Uma vez, quando voltei a Brasilia depois de minhas férias no meio do ano, estranhava tudo de tal forma que não conseguia parar de chorar. Devia ter 9 anos, não lembro, ou 11? Minha mãe sempre reagia da mesma forma: "quer que eu te faça algo gostoso para comer?" Aquela noite em particular ela me deu um pão com presunto e queijo, lembro direitinho como a promessa de que aquele pão teria poderes mágicos caiu aos pedaços. Comi aquilo com gosto amargo e pensei, isso não tira a dor do meu peito. Mas ela acredita que vai tirar, ela quer que eu acredite nisso. Então chorava o resto que tinha que chorar no silêncio do meu quarto. Em algum lugar dentro de mim sabia que minha mãe não dava conta e que eu tinha que dar um jeito de convencê-la de que ela me ajudava, só para não piorar a situação.

Alguns anos depois, o pão virou um calmante. Toma minha filha, toma isso, vai melhorar...Eu sei, eu sei que no mais fundo do coração dela ela queria me ajudar, mas essa era a forma que ela conhecia. Mal sabia eu que ela já usava medicação da pesada havia anos, remédio para dormir, remédio para acordar, remédio para dor, etc. Ela não sabia se cuidar, não sabia como cuidar de emoções, como ensinar a suas filhas? Ao mesmo tempo absorvia a culpa que ela exalava, sem entender. Tinha tanto cuidado para não fazê-la sentir culpada, tanto cuidado de mostrar que estava bem para não aguçar sua culpa. Incrível o que captam as crianças. 
Tomava essas pílulas com raiva também, me sentindo traída em algum sentido. A mensagem era clara ao meus sensores de não-dito: é melhor não sentir essas coisas. Ao mesmo tempo o velho refrão: não dou conta de te ajudar mas te dou o que posso. 

Então, aprendi a não mostrar ao máximo emoções de medo, tristeza, raiva. Não mostrar choro, não pedir colo. Pior de não ter colo é pedir um colo e não encontrar nada reconfortante nele e ter que pedir para sair. Claro, que as vezes não dava conta e saía do quarto banhada de lágrimas e pedia ajuda. Aí ela fazia algo "gostoso para comer" ou então um chá de erva cidreira. Para mim, esse chá tem o gosto de choro até hoje.

Hoje em dia, quando estico a mão para alcançar o Rivotril, juro que lanço olhares de fúria para aquela garrafa. Não é você que eu quero mas é você que eu tenho. Te odeio mas você me cuida. Te odeio, você entende isso? Eu vejo minha mãe em mim e quero jogar o vidro pela janela, quero jogar em um buraco que vá até o fim do mundo e cuspir em cima. Quero dizer para minha mãe que existem outros jeitos, mas no final eu também fiquei meio analfabeta das emoções e fico queita para não ser a hipócrita que pede para que ela pare de depender disso mas ao mesmo tempo carrega um na bolsa. Tento me convencer de que não é a mesma coisa. Mas tenho minhas dúvidas.

Clack clack clack....

"Mãeeee??"
"Oi!?"
"Vem cá!!"
clack clack clack....
"Me põe pra dormiiiiiir?"
Ela sorri e caminha até a cama, puxa o cobertor em volta de mim. Pega o Bunny, meu coelho de pelúcia e o coloca ao meu lado. Hoje ela tem um pouco de tempo. Ela deita na cama do meu lado, encolhida para que caibamos as duas. 
"Posso ficar um pouco com você?"
Ela se deita e me desespero ao perceber que ela adormece. Não sei o que tem de demais, mas seu cansaço e comforto na minha cama me incomoda tremendamente. Me assusta de um jeito que me faz sacudí-la.
"Mãe, mãe..."
"uuuh"
"Você tá dormindo..." (ou seja, por favor, vá dormir na sua cama)
"Ok, boa noite minha filha"
"Boa noite".

É melhor assim.

Sinto falta de minha mãe de forma abismal.

Bunny...quantos choros você acalmou. Eu te abraçava e pedia, por favor, make it stop, make it stop....E quando eu me cansava e acalmava na ressaca pós-choro, te agradecia - thank you bunny, thank you...
Você foi meu filhote, meu amigo, confidente e com seus olhos profundos e sábios, foi a presença onipresente que precisava. 

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Well I believe it's love that's hiding here














We find love it's hiding here
In the darkness in the shadows
Maybe it's up to you and I
To bring it to the light
Love when I approach the tears
They fall like rain
You tell me baby your heart's into a thousando pieces
-DMB

O ritual de escrever. Ou melhor, o ritual de finalmente sentar para escrever. Falando nisso, esqueci de botar a água para ferver, a do café básico...Já volto.
(leitores, ouçam os passinhos que vão até a cozinha, a água da torneira na chaleira, o estalo do fogo elétrico acendendo....uma pausa para pegar um biscoito...passinhos de volta ao computador).
Sim, onde estava? O ritual de escrever que agora inclui o café, dedutivamente (se não sobre-estimo a inteligência dos acima referidos leitores). 
O ritual inclui também a tentativa de fechar todas as outras janelas que teimam tanto em ficarem abertas 
* cough cough gmail cough facebook cough msn*
Cough...Escolher um playlist do itunes e deixar rolar. 
Claro que tudo começa com uma inspiração ou uma coceirinha que diz, "preciso escrever!!"

Pausa para o feitio do Nescafé...
(imaginem o que queiram, podem até aproveitar para irem no banheiro.)
Voltei.
Agora sim, tudo pronto. 

Hoje teve aula de inglês e tive a honra de escutar da minha aluna que ela pretende continuar por um bom tempo, não só até a viagem até London in November. 
"Nãaao, você ainda vai ter que me aturar por um bom tempo!!"
 Sorri com um prazer e até com vontade de rir pois imaginava que ela que tinha que me "aturar" no meu aprendizado como self-invented teacher. Se ela soubesse que é peça crucial no meu novo momento de redefinir rumos, minha cobaia existencial, eu que teria que pagá-la pelos nossos encontros. 

Insights são coisas bizarras e conseguem surgir em momentos inesperados tal como em meio a uma caminhada forçada no parque às 16 horas de uma quinta feira. Sofri um ataque de insights encadeados e tive que me forçar a respirar para dissipar a sensação de leveza extrema da cabeça. Foi uma espécie de conexão a outro plano onde tudo fica claro, CLARO e tal como o sol após muita sombra, cega e desnorteia. Cuidei para não perder o fluxo e para não me deixar empolgar demais também em um ataque semi-maníaco de querer salvar o mundo. Tal como os fluxos que levam para baixo, a mediunidade também abre portas para fluxos de entidades que trazem valiosas contribuições. Esses "fluxos" me ocorrem com frequência porém nunca planejados e, quando ocorrem, sei identificar direitinho que é um momento sagrado e que alguém está falando diretamente comigo. 

Eu sei, eu sei, curiosos para saberem o que é que foi dito e ouvido, né? Sinto muito decepcionar, mas isso ficará comigo. Difícil demais descrever e difícil demais transmitir a sensação que acompanha que, para mim é o mais importante, pois eu já tive os pensamentos milhões de vezes, mas eram sempre hipóteses, dúvidas, hesitações, passageiros. Esses outros pensamentos são fortes, ditados, causam uma alteração física e de consciência e estão imbuídos de tanto sentido que não há dúvida. Faz sentido, faz sentido com toda célula do corpo tal como a fé. 
Foi assim que eu decidi ficar no Brasil e fazer vestibular, baseado em um momento desse de influxos poderosos. Estava no centro espírita antes da palestra começar, com a mente matutando meu eterno dilema, o que fazer o que fazer o que fazer após o segundo grau? Me veio em uma frase simples (por isso digo, não é o que é dito, é a sensação):

Fique aqui.

Eu lembro direitinho. Estava olhando pro chão quando escutei essas duas palavras. Foi tão nítido que levantei a cabeça e olhei para trás. Tive um momento de "Que??" e imediatamente eles reforçaram:

Fique aqui. 

Como quem disse, é isso mesmo que você ouviu. Ok, certo, duas palavras. Mas imaginem o seguinte: Eu, que por tantos meses antes disso estava em crises contínuas de ansiedade/pânico/possuída pelo demônio e afins, pela primeira vez em muito tempo, derreti de alívio. Literalmente, derreti, manteiga ao sol. Pois foi sol, foi luz e calor e sentido para minha alma. Me senti tão esperançosa, acolhida e BEM. Tanto faz que saí de lá e aos poucos o sol foi perdendo a força e que eu não fazia IDÈIA do que seria "ficar aqui", mas eu sabia que era isso. Fique aqui. E deu certo, fiquei. 

Enfim, o que queria dizer nem sei mais o que era. Sentei para escrever com outro tema em mente e fui por esses caminhos. Tudo bem, viva o escrever fenomenológico! (uuur!)

Minha mãe me ligou hoje com a voz vulnerável e amedrontada pedindo o número do meu psiquiatra. Pedindo ajuda, porque está reconhecendo sua dependência nos ansiolíticos (são anos, se não mais de uma década, de uso/abuso) e os ataque de pânico estão voltando. 
Parece que estou mudando de assunto mas não estou. Está tudo ligado.
Receber essa ligação me fez lembrar alguns anos atrás e a crise que ela teve após o término do namoro super-conturbado e doentio. Passei quase um ano cuidando dela feito criança, ou melhor, feito depressiva, tendo que engolir a raiva e ressentimento que sentia ao  me dar conta que eu estava fazendo por ela o que ela não pode fazer por mim quando eu passei por algo similar. Nessas horas ou se cresce ou se amargura para o resto da vida, vou te contar. Rezava todo dia para ter essa força de encarar a situação com maturidade e caridade no coração. Ela não conseguia sair de casa e todas as funções que antes ela fazia minimamente agora estavam zeradas. A casa virou minha, junto com as compras e cozinha e afins. Quando ela não conseguia de jeito nenhum evitar ter que ir ao trabalho tinha que dirigir por ela e ela pegava na minha mão e pedia "desculpa, desculpa"
O auge foram momentos em que ela me pegava para sentar ao lado dela na cama (tudo a meia luz) e começava a falar e falar e falar. Primeiro, detalhes do relacionamento dela com esse tal ex: das traições, das cenas trágicas, da vontade de matá-lo, dos planos para matá-lo, os pesadelos que ela tinha, as palavras sórdidas trocadas entre eles...Coisas que eu não queria ouvir e me feriam mas ela pedia, preciso falar com alguém. Segundo, do passado e de segredos de família que ela decidiu tinha chegado a hora de desvelar, tudo para conlcuir que era por isso que eu e minha irmã não amavam ela como mãe e ela merecia nosso des-amor. E finalmente, finalmente, as crises suicidas onde ela declarava com a voz pingando de dor que precisava se matar porque ela não aguentava, que sabia que iria sofrer do outro lado, mas que seria melhor porque ela poderia se render e não precisaria tentar mais. Eu escutava e o desespero tomava conta, desespero e raiva. "Mãe! Você está vendo isso aqui? EU? Segurando sua mão, te escutando, te cuidando? Tudo bem, você quer morrer para se render mas você está esquecendo, do outro lado não vai ter isso, não vai ter ninguém para segurar sua mão!"
Ela melhorou, sim, isso faz 3 anos aproximadamente. 
Isso tudo me leva ao insight no parque. Estou em altos debates comigo mesma de como fazer para deixar meu "trabalho" na Animax de lado e me perguntando qual é minha função lá e qual a dificuldade de enfrentar esse assunto com minha mãe. E ficou claro. Eu sou o ansiolítico dela. 
Ontem ficou claríssimo, pois ela descompensou com uns problemas com funcionários e eu precisei redigir a carta que ela queria entregar a todos, carta que ela ditava gaguejando e tremendo e interrompido por ataques de raiva e irritação com qualquer um, inclusive eu. Aí lembrei dela me abraçando uns meses atrás e dizendo que era tão bom me ver na Animax e trabalhar comigo, pois a minha presença a acalmava, era conforto. 
A minha presença lá enquanto "assistente direta" é só um meio disfarçado de ter um bichinho de pelúcia sempre ao alcance. Quando saímos para almoçar ela treme e pede abraços, me dá um abraço, filha
A volta dos ataques de pânico me assusta. 
Na verdade, sei que eles sempre estiveram aí, latentes, mas o uso do ansiolítico conseguia mascarar e driblar os momentos de quebra. 
Outro insight: Enquanto ela não admitir cuidar de si mesma e ser cuidada, eu nunca terei liberdade para fazê-lo eu mesma sem sentir que estou traindo-la. Meu uso de medicação, terapia, amizades, estudos, qualquer coisa - só faz com que ela se confronte com ela mesma e sua maneira de lidar com a vida e consigo mesma. 


Volto ao ponto ao qual quero chegar. Esses insights serviram para desencadear outros, tal como uma chave que abre o primeiro portal e libera águas poderosas que por si mesmas conseguem abrir as outras portas. Tudo flui quando tenho certas clarezas. Se me libero da culpa e sentimento de lealdade irracional a ela, vejo minhas vontades e meu caminho. Sinto sentido para mim mesma.

Agora estou esperando um tanto quanto apreensiva que ela chegue em casa e me conte se conseguiu marcar uma consulta. Espero um tanto quanto apreensiva que ela perceba meu novo fluxo e retomada de ânimo e se sinta abandonada. 
Preciso que você acredite,
Te amo, mãe. 



So here we are all of us stand around
We're leaning heavy on each other
Always wondering what is it that lies behind
The worried eyes of one another

Well I believe it's love that's hiding here
deep inside both you and me
Maybe it's up to you and me to share it with the light