quinta-feira, 14 de junho de 2012

Ambiguidades Ctd.



Às vezes fico quieta, quietinha, querendo sentir seus movimentos. Às vezes não preciso ficar quieta pra sentir seu terremoto. Às vezes aperto a barriga ligeiramente só para provocar uma reação sua. Tento não abuser disso, na verdade faço bem pouco. Você é tipo um peixinho escorregadio que foge da pressão.
Às vezes não consigo entender o que está acontecendo comigo, conosco. Tenho me sentido tão melhor e talvez me acomodando à nova situação física que levo um choque de estranhamento quando lembro que essa barriga, esse peso, todas essas consultas e exames estão levando a algum lugar – que é você sair daí. Que você existe mesmo, separada de mim. Bem, por enquanto não, mas mesmo assim, mesmo na simbiose do cordão e no empréstimo do meu útero, você é você.
Não sei se é possível de se “entender”, a gravidez. Como assim?! Como assim…quem é você? Tampouco achei que um dia isso seria real para mim. Foi mais cedo do que podia imaginar e o simples fato de que foi uma escolha também me tira do sério. Eu tive esse poder? De permitir? De acolher?
Às vezes não quero mais saber da barriga, quero meu corpo de volta, quero poder me mexer com mais liberdade. E às vezes penso em como será o vazio quando você nascer, se vou estranhar, tal como estranho o estado de cheia.
Eu durmo e acordo quase como um bebê, entrando e saindo de estados de consciência variados durante todo o dia. Sono, xixi, comida, atenção…são minhas necessidades básicas e praticamente únicas.
A ioga me faz incrivelmente bem. Me sinto mais forte e mais “definida” quando estou lá. Tem sido ótimo conviver com as outras alunas e a professor. As posições me emprestam calma e ritmo.
Às vezes vou deitar e quero chorar, fico manhosa. Não entendo bem do que se trata. Até acredito que minha falta de concentração e de memoria tem a ver com a maneira que consigo lidar com o mundo externo, em pequenos intervalos por vez. Se extrapolar do meu limite, não vai ser registrado. E tem sido assim que tenho lidado com todas as mudanças que tem acontecido. Lido com o que dá, dia por dia, nos meus lapsos de consciência. Nos de inconsciência peço para meu cérebro processar o que não consegui processar ainda.
Não consigo entender o que quer dizer o último trimestre. Confesso que a ansiedade aumenta um pouco ao pensar nisso. Então não dá pra pensar demais 

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