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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
big and beautiful
Atualizações:
Esse fim de semana senti várias coisas, cólicas fortes mas espaçadas e sem nenhum ritmo entendível. A médica detectou um dedinho de dilatação, chegou a encostar na cabeça dela! Não entendo muito bem isso, como dá pra encostar na cabeça mas nada estar "acontecendo" de fato.
Mas enfim, estamos aqui ainda, não tenho sentido nada mais nada além disso, e até as cólicas pararam esses últimos dias.
Nossos exames estão normais. Nem sombra de diabetes.
Você é "grande" porque você é você, não por nenhuma doença. Que nem disse seu pai, você é forte. As pessoas se preocupam com seu tamanho, isso me tira do sério. Me remete a toda a MINHA infância e à MINHA história de parto com minha mãe. Cresci a vida toda escutando como eu fui um bebê grande que quase matou minha mãe de dor e de verdade. Cresci sempre acima da curva, de altura e espessura. Nunca fui miúda, e quando engordei aos dez anos, aí sim esse complexo virou complexo! Foram anos de luta para emagrecer, para me sentir bem com meu próprio corpo, para parar de me encurvar e tentar me esconder.
E agoro começo a escutar coisas sobre VOCÊ e viro uma onça!! Nos deixem em paz! Você é acima da média, e daí? Você é forte, como eu! GRANDE não quer dizer patologia. Você é linda, tenho certeza disso.
Estamos chegando perto da data provável do parto oficial, dia 20. Sinto seu corpo com mais clareza agora, especialmente seus pés encostando na parte de cima da barriga...encostando nao, empurrando, deixando sua marca!
Me pergunto quais serão os próximos passos médicos. Sei que ela está um pouco ansiosa para que você venha logo, devido à questão do tamanho. Ela até falou em pensar em alguma indução com acupuntura...e nem estávamos na semana 39! Quero esperar até você anunciar que está pronta, até que algo na nossa química desencadeie o processo. Tenho te falado que estamos aqui, te esperando, na expectativa, prontos. Espero que você possa confiar nisso. Sei que você sente meus altos e baixos, minha ambiguidade...não significa que eu não queira você, mesmo quando a dúvida se instala. Isso é meu medo, é o medo que me faz pensar essas coisas, mas eu sei que te amo, que te amamos, não há dúvida quanto a isso. Mal podemos esperar para ver seu rosto, sentir seu cheiro, tocar suas mãos e pés....vai ser uma aventura doida, disso eu tenho certeza!
domingo, 26 de junho de 2011
As fotos
De 19 e bolinha até 2011...
Todas.
As fotos se espalham pelo chão do quarto e vão se amontoando em épocas...aos poucos vou filtrando-as por ano e por eras e assim vou recriando a minha história.
Quando fomos pro Peru...
O casamento dos meus pais...
Quando viemos para Brasilia
Aqui eu já tinha 8...ou era 9?
Deus me livre, entrando na adolescência...tadinha de mim...
Algumas épocas me causam mais dor que outras, uma dor involuntária, reflexa, tal como o martelo no joelho.
Depois de olhar e organizar vou para a cozinha ferver água e a melancolia toma conta junto com o bittersweet do café. É difícil dar-me conta do que aconteceu, porque fiquei triste "de repente"...um gradual que vira de repente, na verdade.
Então me ilumino e me toco...tem coisas que vibram em mim profundamente, como me ver aos 11 e ver sem máscaras a ansiedade que eu já sentia, o medo e o isolamento. Vejo no meu rosto e no meu corpo desajeitado a falta que sentia da minha mãe, tremenda falta, mesmo estando do meu lado.
Então me ilumino e me toco...tem coisas que vibram em mim profundamente, como me ver aos 11 e ver sem máscaras a ansiedade que eu já sentia, o medo e o isolamento. Vejo no meu rosto e no meu corpo desajeitado a falta que sentia da minha mãe, tremenda falta, mesmo estando do meu lado.
Vejo as fotos de quando meu pai começou a ser visita aqui em casa e para minha surpresa, é justo nessa época que o coelinho, o Bunny, começa a estar presente em toda foto, um talismã, um cobertor de segurança. Engraçado o que não enxergamos a não ser de uma distância.
Outra épocas me dão calor no coração...ver o começo do casamento dos meus pais, como começou a vida da minha mãe, da minha idade começando a aventura de sua vida. Chegando aos EUA, nem sonhava que se casaria e logo depois chegaria eu. Alí estou, cheia de vestidos e pezinhos, e logo em seguida a irmã e mais poses e serelepices.
Eu olho pra ela(s) e procuro eu.
E eu, mãe? Você me levou até aqui, estamos aqui...e agora?
Minhas fotos serão como daqui uns anos?
Sinto que organizo o passado para abrir espaço para o futuro.
Eu olho pra ela(s) e procuro eu.
E eu, mãe? Você me levou até aqui, estamos aqui...e agora?
Minhas fotos serão como daqui uns anos?
Sinto que organizo o passado para abrir espaço para o futuro.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Wednesday-Thursday
It's almost midnight as I write this and will be long after midnight when I finish.
I'm not quite sure I understand what it means to be grown-up.
I know that many of us don't really get it...
Comingo tende a ser "tudo ou nada" - ou vale a pena ou não vale nenhuma pena. Dias mais ou menos são dias terríveis. Sei que cometo esse pecado de extremos. Às vezes um dia terrível é melhor que um dia mais ou menos. Aliás, dias mais ou menos acabam virando terríveis pelo vazio de sentido que me provocam.
Sometimes I look at the pictures on my mural...a collection of several life moments, a lifespan.....and I look at my young mother, at my father...in all these different ages and years gone by and I think: you've left me a hole in my heart. You don't know how big it is, how hard it was to be away from each one. How hard it was to come to terms with the fact that being with one meant losing the other.
Sometimes it scares me to realize it will always be there and I will feel the pressure closing in on it everytime I have to live loss, no matter how small it may be.
Listen to this: http://www.youtube.com/watch?v=WB4dAdPu_lg
So today I wrote a song for you
Cause a day can get so long
And I know its hard to make it through
When you say there's something wrong
So I'm trying to put it right
Cause I want to love you with my heart
All this trying has made me tight
And I don't know even where to start
Maybe that's a start
Cause you know its a simple game
That you play filling up your head with rain
And you know you are hiding from your pain
In the way, in the way you say your name
And I see you
Hiding your face in your hands
Flying so you won't land
You think no one understands
No one understands
So you hunch your shoulders and you shake your head
And your throat is aching but you swear
No one hurts you, nothing could be sad
Anyway you're not here enough to care
And you're so tired you don't sleep at night
As your heart is trying to mend
You keep it quiet but you think you might
Disappear before the end
And it's strange that you cannot find
Any strength to even try
To find a voice to speak your mind
When you do, all you wanna do is cry
Well maybe you should cry
And I see you hiding your face in your hands
Talking bout far-away lands
You think no one understands
Listen to my hands
And all of this life
Moves around you
For all that you claim
You're standing still
You are moving too
You are moving too
You are moving too
I will move you
sábado, 5 de março de 2011
Meu coração
Let's desert this day of hurt, tomorrow we'll be free
Let's not fight, I'm tired can't we just sleep tonight?
Turn away, it's just there's nothing left here to say
Turn around, I know we're lost but soon we'll be found...
Sia
Sentada naquele carro, me surpreendi com a calma que exalava do meu ser. Afinal de contas, não é todo dia que se vai ao pronto-socorro por sentir que se está para enfartar.
Especialmente quando se tem 20 anos.
Meu braço esquerdo estava dobrado contra o peito, como se o segredo fosse segurar o sangue mais perto possível do peito, da dor que exalava de forma nada calma de lá e irradiava pelo meu braço.
Ao lado, minha mãe estava furiosa.
Furiosa.
Não consegui me importar muito, já havíamos vivido muitos momentos de frustração mútua para que eu me deixasse afetar com aquilo. Estávamos a caminho do hospital público mais perto e conveniente. Nunca tinha ido ao um hospital público, o temível sistema de saúde do Brasil, tantas histórias de terror! Aquilo era para ser minha “lição”, para eu aprender a valorizar minha saúde e não inventar frescuras sobre dor no coração, além de, claro, valorizar o tempo e energia dela. “Vai ver o que é bom”, ela disse.
Eu nada disse.
Vamos, pensei comigo mesma, e você verá que tem algo errado.
Até chegar lá pareceu uma eternidade, pareceu outra dimensão de ser. Não lembro que dia era, só que tudo estava vazio. Talvez domingo? Que cidade é essa, que ruas são essas? Onde está meu lar? Porque fui traída assim?
Saímos do carro após estacionar, em silêncio. Estou cansada, estou com o braço contra o peito e ainda não consigo acreditar que estou seguindo adiante com meu pedido. Parte de mim sabe que não vão encontrar nada, mas a mesma parte precisa que verifiquem, precisa que um médico que não mora na mesma casa comigo e não me conhece há 20 anos faça o exame. Tirem os vieses, os meus, os delas!
Entramos e é a típica cena de hospital público. Preenchemos formulários, pegamos senha. Está relativamente vazio (era domingo?) e não esperamos muito até que um cardiologista me chamasse. Entrei no consultório e só consegui dizer que sintia dor no peito, por entre muitas lágrimas. Parte de mim sabia que ele não ia achar nada e isso me fez chorar ainda mais. Minha dignidade estava quase ao chão, mas tinha que seguir, já estávamos ali. Ele fez o eletrocardiograma rapidamente e em poucos segundos conclui que não há nada de anormal. Rabiscou algo ferozmente num papel numa escrivaninha e me encaminhou para outra sala. Não sei o que está escrito, não sei o que ele vai me passar, mas considero ser bom sinal que haja outra etapa e não um direto “vá pra casa”.
A outra sala é de medicação e desta vez me levam para a ala psiquiátrica.
Levei um susto danado, mas não dava tempo para reagir, pois quando vi já haviam baixado minha calça e a injeção no “glúteo” já foi dada. Ai. Ai!
A dignidade? Pois é, a esta altura, foi-se. Tenho que voltar pra casa com minha mãe sabendo que acabei de levar um “sossega-leão” como uma histérica e que não havia nada no meu coração. Mas o farei com o máximo de cabeça erguida, pois arquei com as consequências.
Não conseguia me importar com mais nada ao entrar no carro e recostar o assento para me entregar ao efeito que surpreendentemente está tomava conta. A volta foi um branco e um silêncio profundo, um profundo nada. Alívio puro.
Chegando em casa já era hora do almoço e me recompus o suficiente para cair na cama...e acordar 10 da noite por alguns segundos e voltar a dormir para acordar na tarde do dia seguinte, completamente perdida. Estava rendida.
Eu ainda defendo que havia algo no meu coração. Como posso sentir algo que não existe? As pequenas máquinas eletrocardiácas não souberam detectar, mas a dor estava lá e meu braço sem dúvida precisava estar dobrado. Não me importa se a emoção provocou aquilo, existiu, não é mesmo?
Não preciso nem dizer que isso foi a última gota d’água para ser levada a sério em casa. Já estava trilhando um caminho limítrofe, com tantos “ataques” e “frescuras” que acabavam sendo “nada”, agora não tinha mais voz de vez.
Tudo bem.
Agora, pensando aqui com meus botões, lembro das incontáveis vezes que minha mãe chegou em casa dizendo que passou o dia achando que ia enfartar, de tanto estresse e ansiedade. Porque não lembrei disso naquele domingo e em todas as desqualificações que seguiram? Mas...pensando melhor, nem isso teria ajudado. A ajuda estava e mim e em buscar sair da nossa pequena relação distorcida e cheia de mágoas-expectativas-doideras-dependências. Já faz 6 anos desde esse pequeno episódio e do famoso 2005 em geral e carrego essas lembranças como pequenos fantasmas.
Pequenos, sim, mas fantasmas nevertheless.
Pequenos, sim, mas fantasmas nevertheless.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Um pouco de Autobio
Forse non riuscirò a darti il meglio...
Mas ninguém adoece do nada. Freud fala em estrutura e cristais que quebram. Não sei se é a melhor descrição do processo, mas algo na imagem do cristal rachando me atrai. A rachadura acontece nos pontos de maior pressão, quando as defesas não dão mais conta e a resistência se quebra. Não sou nenhuma expert de psicanálise (nem simpatizo muito com a abordagem), mas é esse o meu entendimento do que aconteceu.
Posso dizer que fui uma criança-cristal bonitinha, cheia de vida, promessa e alegria. O começo dessa criança poderia ser o encontro de seus pais, mas para mim não é. O meu começo surge aos poucos, com memórias cheias de névoa em volta, mas altamente significativas.
Elas remontam a dias constantemente ensolarados e a uma menina loira que sempre estava com um vestido florido. Não é uma memória romantizada, pois morávamos em Lima, Peru, onde a palavra “chuva” não existia. Eis a parte do sol. Filha de um americano legítimo meus primeiros cachos esbanjavam minha carga genética. Eis a “loirice”. E finalmente, minha mãe conta que eu escolhia um vestido para usar e não tirava mais até ficar encardido. Aí escolhia outro... Eis a parte dos vestidos.
Como deve acontecer com todo mundo, não sei o quanto que minhas lembranças longínquas são lembranças mesmo ou histórias imaginadas em cima de fotos. Seja como for, a sensação que ficou foi a desse sol eterno. Tudo era quente, confortável e saudável. Nessa época, nasceu minha irmã e meus pais viveram o auge do casamento deles. Eu era uma borboleta que flutuava no meio de tudo isso, sempre cercada de amigas, festas e brincadeiras.
Depois de três anos, voltamos para os EUA e lá vivemos mais um ano. Aos meus sete anos a família peregrinou de volta para o Brasil, ao pedido desesperado de minha mãe. Brasileira de samba, carnaval e sol, o inverno emocional e climático da Carolina do Norte era rígido demais para ela.
Assim pai, mãe, filha e bebê foram parar no Planalto Central, em uma cidade recém nascida chamada Brasília. Mais uma escola, mais uma casa, mais uma vizinhança, mas era ainda pequena demais para sentir o choque da mudança. Acho que seria a última mudança indolor daí pra frente.
Poderia adentrar nos detalhes de nossas vidas no cerrado estranho, nas fronteiras de Brasília onde não existia nem farmácia. Poderia contar dos meus pais e o projeto de construir o hospital veterinário, a nossa nova casa e a nossa nova vida. Mas o que quero contar é das muitas tardes após a escola passadas brincando nos montes de areia de construção, das aventuras que eu vivia na selva do cerrado e de minha crescente tendência a me isolar nesses mundos fantásticos.
Claro, eu ia à escola, tinha amigos, amigas, mas nunca mais foi a mesma coisa que tinha sido alguns anos antes. Talvez fosse a distância da minha casa do resto do mundo, ou a minha dificuldade inicial com o português que nunca fora minha primeira língua. Só sei que meus colegas pareciam viver em realidades tão diferentes da minha! Desde então muito dona-de-mim, decidi não me preocupar com essa discrepância e continuar vivendo da maneira que sabia. Acho que meus pais não se atentaram a essa mudança sutil em mim, pois estavam muito ocupados com seus planos e construções. Se perceberam, acho que pensaram que não era nada permanente, pois eles sempre me conheceram como a criança-borboleta e talvez achassem muito improvável algo acontecer que mudasse isso.
Esse pedaço da minha vida durou um outro ano e sem que eu tivesse percebido qualquer coisa entre eles, meus pais decidiram se divorciar. Hoje, olhando para trás, me pergunto se era realmente possível eu não ter percebido nada mesmo, nem uma briga, um olhar atravessado, um clima hostil. Não entendo bem desses mecanismos que a mente tem de ser preservar de situações difíceis, mas pode ser que eu bloqueei tudo mesmo.
Foi tudo muito rápido, muito limpo e ordenado, algo que estabeleceu o molde de como tudo seria daí em diante e como eu também deveria lidar com as circunstâncias (calmamente, racionalmente e pronto!). Eles sentaram comigo após a única briga que lembro e me explicaram a situação:
- Papai e Mamãe vão se separar, Papai não vai morar mais aqui, mas não quer dizer que ele não te ame, a gente vai se visitar o tempo todo, etc....
E eu, como uma menina-moçinha bem madura e razoável entendi tudo e até me lembro de ficar consolando meu pai. Tudo bem, Pai, eu vou ficar bem, não se preocupe. E foi assim... Ele partiu e não me lembro nada desse dia, não sei como foram os meses seguintes em casa sem ele. Não me lembro da reação da minha irmã...
O que lembro mesmo são as mil e tantas viagens que vieram como conseqüência de tal separação internacional. Era um tal de buscar pai no aeroporto, deixar pai no aeroporto, ir para o aeroporto de mochilinha, passaporte, irmã mais nova e meu coelho de pelúcia, o Bunny. Transbrasil, Varig...Um tal de despedidas, chegadas, despedidas, chegadas. Rapidamente essa rotina de rupturas foi se tornando a parte mais temida do ano. Nessa época, com oito, nove e dez anos, as partidas de avião eram partidas no meu coração, mas era uma dor que tinha que ser, pois era obrigação minha como filha-moçinha-madura-e-razoável ir visitar o pobrezinho-do-meu-pai-que-estava-tão-sozinho-em-outro-continente. Na verdade nem sentia como obrigação, mas sim algo que filhos fazem, devem fazer, pois os pais fazem falta e nós sentimos sua falta. Ou mais simplesmente, era a vida e ponto final.
Aos dez anos, foi a vez do meu pai de ter-nos morando com ele. Foi meu primeiro ano fora sem ser de férias, vivendo mesmo nos EUA. Também foi meu primeiro ano sem minha mãe. Foi nesse ano que os EUA em si começaram a ser equiparados com trauma e não a viagem-despedida-chegada. Sentia uma falta absurda da minha mãe, chorava como uma condenada quando voltava das férias do Brasil e quando minha mãe ia embora de suas visitas. Chorava de ódio daquela situação, ódio de não ter opção, ódio de estarem levando minha mãe.
Foi nesse ano que engordei os quilos que iriam me acompanhar odiosamente pelos próximos anos. Olhando assim depois de muito tempo, vejo que foi o ano em que aprendi a criar uma barreira em volta de mim, barreira de introspecção, de ser estudiosa, de ser responsável, de ser tudo que os outros desejavam de mim, mesmo antes deles mesmos saberem. Aprendi a ser um sucesso entre os adultos que admiravam minha maturidade, inteligência e perspicácia. Ao mesmo tempo aprendi a esconder meu sofrimento, pois precisava continuar sendo forte, madura. Não podia preocupar meus pais já tão preocupados por si só. Ao mesmo tempo consegui descontar muito disso num acting out poderoso com a nova namorada (e logo depois, noiva) do meu pai. Foi a única situação em que não era uma menina super madura e adorável. Fui o inferno na vida dela e não entendia porque não conseguia me controlar, sabendo do sofrimento que causava. Tinha os sentidos aguçados para captar todas suas carências e sensibilidades e conseguia levá-la na palma da minha mão, fazendo tudo que eu queria para depois dispensá-la ou desprezá-la. Depois eu chorava, chutava, mas nada demais foi feito, meu pai até parecia se divertir com o desespero que ela vivia comigo.
Aprendi a ser um enigma para meus colegas de escola, alguém que não pertencia ao mundo normal de ser criança. Só deixava entrar no meu mundo quem eu sentia estar no mesmo barco que eu, talvez num movimento de projeção e identificação. Acolhia essas pessoas que, como eu, sofriam com as conseqüências de serem responsáveis e maduros demais e as amizades eram profundas e de alma.
A inocência da infância definitivamente havia passado.
Eventualmente voltei para o Brasil e chorei de ódio de ter que deixar meu pai. Além disso, tinha que viver com a revolta da minha mãe dos meus quilos a mais, como que meu pai havia permitido? Onde estava a filha linda dela? Oficialmente se instalou meu complexo de ser patinha feia, gorda e socialmente um caso perdido. Nem gringa nem brasileira. Nem lá nem cá.
Daí pra frente cada viagem foi um choro constante de ódio. Claro que não entendia ser ódio na época. Para mim era somente tristeza, saudades... Mas ao mesmo tempo sabia que esses sentimentos não faziam jus à força do sentimento e choro que vinham. Cada primeiro dia em cada país pedia tanto de mim, um ajuste total no meu cérebro. Um dia estava na casa do meu pai com o tapete, a televisão em inglês, o cereal com leite de manhã e historinhas na hora de dormir e no outro estava na cozinha azulejada da minha mãe, comendo pão francês, presunto e queijo diante de uma televisão que coloria a sala azul com o Jornal Nacional. Uma hora atrás escutava aquelas vozes sérias no noticiário no carro do meu pai em inglês (good ol’ NPR) e agora escutava a Fátima Bernardes me desejar uma boa noite simpaticamente em português (“O Jornal Nacional termina por aqui, boa noite”). Essas mudanças bruscas faziam e ainda fazem girar minha cabeça.
E assim os anos passaram, uma viagem de avião atrás o outro. Fui me familiarizando com o ciclo de dor, adaptação, bem-estar, insegurança, dor e aprendendo a me resignar a ele. Não tinha como escapar, por mais que eu inventasse estratégias para me enganar, como cantar minha música predileta ou fingir que era uma astronauta em uma missão super especial. As brincadeiras não me protegiam da tortura do ir e vir e lembro de como era amargo perceber isso, como uma traição odiosa. “Ontem a gente combinou que ia dar certo, lembra? Que não haveria lágrimas, que os pontos da cicatriz tão custosamente fechada não se abririam nessa explosão de dor!”.
Não me ocorria dizer nada aos meus pais, pois eu acreditava que iria criar mais problemas. Não entendia que havia opção nisso tudo.
Acho que foi por isso que, entre as viagens, vivia de forma mais esquiva possível de qualquer coisa que me trouxesse ansiedade. Já que podia fugir, fugia. Então fugi ainda mais dos colegas, de uma vida social. Refugiava-me nos estudos, me tornando aquela aluna brilhante que mencionei antes. Refugiava-me nos fundos do hospital veterinário que era nossa casa, cheio de personagens que compunham minha estranha família. Era veterinário, funcionário, empregada, mãe que passava voando pelos corredores pra lá e pra cá. Refugiava-me nos meus passatempos de pré-adolescente solitária. Não tinha T.V. a cabo então o auge do meu dia era assistir os noticiários e as novelas e, eventualmente, Globo Repórter! Um luxo, uma conquista, conseguir ficar acordada até depois da novela! Desenhava, escrevia, lia e inventava projetos tais como pintar meu quarto ou observar os clientes com seus animais na recepção enquanto minha mãe ia e vinha no frenesi de sempre sem tempo nem energia pra estar comigo e minha irmã. Mas claro, eu entendia e nunca cobrava.
Não é de surpreender que as línguas fossem algo fácil pra aprender, dado todo o contexto multicultural e internacional no qual estava imersa. Além do pluralismo da minha família e dos países onde havia vivido, tinha o fato de que as amizades que eu fazia eram, "curiosamente", com as crianças que viam de outros países e continentes, filhos de diplomatas que constantemente alçavam vôo para novos lugares. Semelhantes se atraem, mas apesar de ser parecida, minha situação era tão diferente! Em primeiro lugar, eles viajavam juntos, não se separavam. Eles não tinham raízes falsas (na época achava que eram falsas, hoje entendo mais como raízes quase que voláteis, transplantáveis, bifurcadas...complexas!) como as minhas, que eram arrancadas a cada quatro meses, mais ou menos. Suas viagens eram aventuras, protegidas pelas asas dos pais. As minhas eram empurrões em um vazio da atmosfera, a milhares de metros sobre qualquer proteção. Trocávamos histórias e pesares de viagens e readaptações, mas rapidamente me dei conta que estávamos falando quase que em dimensões diferentes e isso aumentava minha solidão.
Mas pelo menos eles sabiam o que era falar mais de uma língua em casa, invernos com neve, ter conhecido diferenças culturais na pele e a sensação de ter que se despedir de pessoas queridas... Pelo menos eu tinha uma turma mais ou menos normal, com conversas, brincadeiras e brigas de meninas pré-adolescentes. Nunca falei para ninguém sobre minha vida particular-emocional e o peso que as viagens estavam tendo sobre mim. Confessar isso seria confessar não ser uma boa filha, não gostar de “viagens de férias” e de todos os delites que elas achavam que a vida nos EUA oferecia. Seria ser estranha e anormal, então me calei.
Então me calei.
Isso me leva ao post "1999", onde a história continua...
domingo, 23 de janeiro de 2011
Albachiara
Let's hand it over to Vasco Rossi...
http://www.youtube.com/watch?v=IEj8vyNZAJI
Albachiara
Respiri piano per non far rumore
ti addormenti di sera
ti risvegli con sole
sei chiara come un'alba
sei fresca come l'aria
diventi rossa se qualcuno ti guarda
e sei fantastica quando sei assorta
nei tuoi problemi
nei tuoi pensieri
ti vesti svogliatamente
non metti mai niente che possa tirare attenzione
un particolare, solo per farti guardare
e con la faccia pulita cammini per strada
mangiando una mela
coi libri di scuola
ti piace studiare
non te ne devi vergognare
e quando guardi con quegli occhi grandi
forse un po' troppo sinceri
se vedi quello che pensi
quello che sogni
qualche volta fai pensieri strani
con una mano ti sfiori
tu sola dentro a una stanza
e tutto il mondo fuori...
tutto il mondo fuori!!
Years of ackward teenagedom came rushing back to me as I heard critique after critique of my clothes, my body, skin, hair and my glasses.
"Você é uma menina linda, mas
o MAS é uma apunhalada no peito...
mas, tem que dar um jeito nisso aqui...cabelo lindo..mas essa franja...(puta merda, as pessoas não entendem que não posso fazer nada agora, ela tem que crescer?!?)
mas, e esses óculos?
mas, a pele...
mas, essa blusa velha, não dá!
Eu sei que nem todo mundo tem que ter a sensibilidade de saber que já passei muitos anos da minha vida sobre-peso, com as roupas "erradas" e fora da moda, escondida e criticada pela minha mãe, desesperada para ter uma filha "bonita" e "normal". Que parasse de ler um pouco. Que dançasse um samba.
Depois de um tempo parei de ler quase totalmente. Aquele ano de 2007 em que parte da minha alma foi sugada e leitura era impossível. Em 2009 dancei um samba...parei...mas enfim estava em um lugar que ninguém falava muito mais do peso, do cabelo, o jeito, do assim e assado. Da pele talvez sim, essa nunca deu muita trégua.
Ai nesses últimos meses pensei em me resgatar um pouco...claro que haveria conseqüências, não posso dizer que estou surpresa.
Today just wasn't my day again.
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o passado no presente
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Broken Strings
Let me hold you
For the last time
It's the last chance to feel again
But you broke me
Now I can't feel anything
When I love you
It's so untrue
I can't even convince myself
When I'm speaking
It's the voice of someone else
Oh it tears me up
I tried to hold but it hurts too much
I tried to forgive but it's not enough
To make it all okay
You can't play our broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that aint real
Oh the truth hurts
And a lie's worse
How can I give anymore
And I love you a little less than before
Oh what are we doing
We are turning into dust
Playing house in the ruins of us
Running back through the fire
When there's nothing left to save
It's like chasing the very last train
When it's too late
One year ago just about I was singing this song practically every day. Actually, it was this song that made me realize what was going on in my old relationship. I would sing this in the car on the radio and suddenly the words were so true that I was crying with this newfound insight. "You can't play on broken strings" was my mantra for weeks and weeks. It tears me up...
These emotions since then have subsided and it' ok now.
THE TRUTH HURTS, A LIE'S WORSE.
I don't want to be here. I don't want to be here anymore. I haven't been wanting to be here since 2006. And I have absolutely no idea what to do about it.
let me repeat.
I DON'T WANT TO BE HERE. I DON'T WANT TO BE HERE!
I've beaten myself down with all the rationalizations possible known to man:
1) be reasonable, here you have people you know, here you have "contacts"
2) be reasonable, you're gonna just leave everything, you need money first!
3) be reasonable, be patient, you just have to be willing to do things you dont really like until you can do what you really want.
4) be reasonable, it's just a city, it's not really about a city
Ok. Ok. Ok.
BE REASONABLE!!??
What an awful pair of words paired together.
How about this, be reasonable:
I have been doing things I don't really enjoy for the last hundred years.
I feel suffocated here and petrified half the time
I don't feel I fit in anywhere when it was supposed to come with time, I don't feel I have a home
My mother is here but isn't, I have no idea of her input and as much as I desperatley need it I desperately don't want it because I'm tired of her point of view.
Make money with what? with what? Teaching English? cuz that's all I've got, for the past 5 years, teaching English is all I've got and it was always supposed to be temporary and something to help out until I reached the next step.
WHERE IS THE NEXT STEP?
Here I am, at a dead-end with my 7 year brasilia investment in my psychology career. I want to go back and start over. I have a dead diploma in my hands and a lot of resentment. I feel betrayed by the promise that this was going to be worth it in the end, that my vocation was truly this. In the end, nobody really cares anymore and I'm left here with this degree and this qualification I don't enjoy.
I think I'm losing it, actually, i don't THINK I am, I AM.
I don't have the togetherness required for putting together a plan, for thinking long-term, for organizing myself into something that resembles and adult, because I am going crazy dealing with the suffocation, the boredom, the fright, the tiredness and the anger.
I lost the moment when I was supposed to get out of here, like my sister. I lost the several opportunities that came up in times when I didn't have maturity enough to take them.
I don't know what to do. I literally do not know what to do.
All that comes to me is that "what a huge disappointment you're going to turn out to be...AGAIN."
That's all you do, afterall, disappoint.
I don't know what to do.
Let me rant. I know this isn't the greatest attitude to deal with anything, but I'm just getting things off my chest, I'm not feeling well today.
Marcadores:
breakdown,
o passado no presente,
relationships
domingo, 12 de dezembro de 2010
A grama
Mais um pedaço do retalho que foi 2005...
20 de novembro de 2005
Quando encostei os pés descalços na grama, a sensação de prazer formigou nas minhas pernas e caminhei com vontade de rir...Entrei num transe estranho, fui transportada para um lugar onde só existiam meus pés e a grama molhadinha. Sentei debaixo da minha árvore predileta e voltei para mim aos pouquinhos. Pensei em Deus, pensei na minha confusão. Pensei, Deus! Eu quero me curar! Deu vontade de chorar pois o cansaço e o desespero me rodeiam dia e noite e luto com tudo para não me deixar dominar por eles.
Mas Deus! Como é difícil!!
senti a grama e senti como somos frágeis mas ao mesmo tempo, olha eu aqui! Quase 3 meses depois que tudo começou...o que quero dizer é que continuo aqui, viva. Não sei muito bem COMO! Deus! Quero me ajudar, mas porque sinto tão poico poder? Estou fazendo certo? Queria ter um sonho revelador ou sei lá..Não sei bem como cuidar de mim porque não sei o que eu tenho.
Mas a natureza...ela não tende à saúde? meu corpo por si não vai lutar pela saúde naturalmente? Minha mente?
Deus, me sinto muito perdida
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Como fui me perdendo da Psicologia
December 27th, 2005
Estou um tanto quanto apreensiva quanto a minha vida Unbiana, pois ela não estava tão legal antes da greve. Assim, vai ser bem melhor que a greve...mas sinto que vai ser solitário. I still haven't understood that classes start sooooon. My head is going wacko over here, struggling to stay afloat. It's forgotten what it's like to be productive.
January 1st, 2006
Impossível descrever o que está passando comigo. Algo forte, incrível, assustador, desconhecido. Estou a dias sem dormir direito, meus olhos vidrados. As aulas começam depois de amanhã e estou apavorada - nem sei se é pavor - FAZ MUITO TEMPO!!! Muito esquisito ficar afastada por tanto tempo e depois continuar assim, como se nada tivesse acontecido. Como se essa greve não tivesse sido uma das coisas mais traumáticas da minha vida...Fico pensando, imaginando como será agora, pois não sou mais a mesma. Mais uma vez, a UnB vai ter um feeling diferente. Sinto que estou passando por uma espécie de estresse pós-traumático, distante do mundo, não sei como vai ser.
January 4th, 2006
Something very weird happened this afternoon/evening. I came back from UnB and...I remember that around 8 I was feeling like I was waking up, like I had been very far away and returned...I lookd back at my day and couldn't recognize myself...It still makes me feel a bit sick in the stomach...What happened to my life today, it was so ackwardly painful. I went into a parallel universe? I guess I've never felt so uncomfortable in a place I used to feel comfortable at...How could I tell anyone? I remember holding back tears in TEP and then at Estatística I snapped into this WEIRD WEIRD alter Maya - one I've NEVER FELT BEFORE. How can I explain? I got caught up in the UnB..I imagine everyone else's experiences..the arrogant, competitive, nasty one and I was really doubting my choice. Deep down I KNEW that I could never be a real psychologist, I could never be one of them and taht made me so nervous, for I lost my focus, my SELF. For the first time I felt WEAK and BROKEN and I felt like such a fake and my soul hurt...
I don't know how it happened. Maybe it was my only defense since I can't talk to anyone and I couldn't cry in class. My conscience went beserk.
But the feeling of having been gone and now coming back is AMAZING. Horrible, but intriguing....
(vou para a Itália pela primeira vez em abril e volto)
May 6th, 2006
Com'è possibile sentire cose così forti in così poco tempo?
Come non lo capisco, mi lascio piangere, sapendo che tutto sta bene. Lasciatemi sentire questa cosa misteriosa, profondamente mia.
So che posso ritornare mas non so come cominciare, perchè non so cosa voglio. È strano, prima dell'Italia, io non volevo mai andarmene via di BSB. era perfetto. Dopo quest'ultimo anno mia piccola cittá non è più tan amichevole. Ho soffrito molta cosa qui, voglio una niova vita, sai?
Ho u po di paura quando osservo che sarebbe così faicle lasciare tutti qui, mia famiglia, amici...Non ho un sentito la mancanza di nessuno mentre ero là.
...
Chorei de novo, dolorosamente. Tive algo tão meu, me senti tão dona de mim e da minha vida. Me senti tão saudável, tão feliz. Mancanza brutta delle persone, di Lucho e i suoi scherzi, angie e le sue parolacce, le ragazze del mio apartamento parlando alto e constantemente. A palavra nem é saudades - é FALTA mesmo.
July 10th, 2006 - Italia tetracampione!
Reta final, reta final do 6o semestre. E sérias questões surgem, do tipo..eu não aguento MAIS a UnB. Hoje eu fiquei imaginando de verdade como seria ir lá por um tempo e eu fiquei sorrindo sozinha. Meu coração quer MUITO. Mas aí entra o cérebro com mil razões para ficar aqui. Mais prático, mais econômico, mais "certo"...mais seguro.
Estou entediada nas aulas, irritada à toa, sem interesse. Isso é jeito de continuar? O que que eu faço?
July 12th, 2006
I guess I'm SCARED. Suddenly I got lost from the herd in the middle of an existencial blizzard. I can't remember why I wanted to be a psychologist, I can't feel my initial excitement. I don't want to, but the word "psychology" is making me sick.
July 17th, 2006
Se for para meu pai aceitar minha nova "idéia", preciso ter um plano, itinerário, orçamento. Tô achando mais fácil ir nas férias mesmo. Chorei tanto depois do telefonema. Ele nem pareceu supportive e até pareceu decepcionado. Tive falar explicitamente outra vez que não quero voltar para os EUA. Isso doeu. Também doeu perceber que ele está tão por fora da minha vida atual e que não foi culpa de ninguém.
August 29th, 2006
Meu Deus, ajude-me a acalmar. Eu quase tomei uma decisão e agora estou tonta da cabeça aos pés. Tontinha, tontinha...em pânico! Mas algumas horas atrás nada me sentiu mais certo! Andando pela UnB ontem e hoje, me bateu um tédio desesperador. Ao pegar as xeroxs, aquela "luz" se fez tão forte...e agora estou entrando em pânico e eu sei exatamente porque. Porque tudo está completamente indefinido. Decidi trancar, fui trancar e mudei de idéia no último segundo.
etc
etc
etc
terça-feira, 9 de novembro de 2010
15 year old's Autobiography
Ten years ago, an English teacher gave us the following assigment: to write our own autobiographies in about a page.
Well, that was boring enough for me and I ended up writing something he would give me a B for but that I have carried with me since then.
I was 15.
Here goes:
Maya
I used to have this friend, and it's very strange how I can count the time and number the years on my fingers of when I last saw her. I could've never imagined back then that I'd be here, four years older and four years on my own. A lot has happened and I've been to new places and have also left those new places. I've ended back where it all started and to my surprise, life has continued. Changes have occured and there's little that has been constant. All I know is that it's the times between those changes that count, the time we spend inside the new experiences, for that time is most valuable.
Sometimes you're with the people you love, sometimes you're left empty. Not exactly empty, for there's always something that lives on in memory. And of course, there's always the new people. She told me that before she left, I would meet so many new people that I would live on. As always, she was right. New people have com, and enough time has gone by for them to leave...that's how it works.
She used to say a lot of things. She said once that I think too much. I thought a lot about what she said and realized I do think too much. I don't think it's a really bad thing, for it's who i am and thoughts are what we are made up of. The thing was that she knew me, and she was able to see what destroyed and blessed me better than anyone else. I miss the light she was able to shine and how it made me that much warmer.
She also said that in order to move forward we have to let go of the past. That's why she let go of me. It hurt a lot, but I was able to understand her. I know she would've liked to know, but I wasn't able to tell her. She didn't mean any harm out of it and reassured me that it was for the best. Actually, she didn't really say that, but I know she would've, if she wasn't so afraid to hurt me. People that love you don't ever want to hurt you. They do, but it's never intentional. That's one thing I learned from her without her telling me. If you love someone, you've got to learn to get over their faults and learn to take the wound as a sign of love. It's pretty confusing but I learned it well enough.
Friends stay in your heart in such a way that it's intoxicating. Sometimes it's a light sweeping of presence in our minds, but not so light to pass by unnoticed. The effect that memory has been changing ove ritme, for now it's easier to smile and laugh at some things we went through, or to think on the absence without breaking down. I have no idea where she is right now, or how life's been treating her. That's what hurts the most, not knowing. I miss her but I'd rather go through this now than to try to imagine what my life would've been like if fate had taken a very different turn four distant years ago.
sábado, 30 de outubro de 2010
Marmellata
Listen to:
You didn't lie to me, but I lived the lie.
You were honest, but I was cheated.
We got stuck in the paradox of complete honesty that didn't make any sense and left me to think: where is the missing piece? In me? In you?
I tried to make some things real and tangible and that turned into complete merde, excuse my French.
To exit the paradox I had to leave our symbiotic you-me and check it with the world, the world you told me would never understand, the world that would be unforgiving, the world that did not understand pure love.
The world, it turns out, was very unforgiving and scoffed at the whole idea we so carefully constructed and rationalized.
You felt betrayed, but I was trying to unbetray myself.
You felt abandoned, but I was trying to regain my sanity.
I hurt you trying to undo the hurt you had caused me.
There are no victims, there are no perpatrators. I'm sorry for the both of us.
Nowadays you leave my memories alone more and more, yet there are a few moments when it all comes back full force. And I have to deal, just like you do.
Non si dimentica.
Ogni volta in cui ti penso mangio chili di marmellata, quella che mi nascondevi tu...l'ho trovata
All I want nowadays is for anything to make sense.
"Let's build a house together, let's run away, let's start afresh, let's conquer the world, let's stay here and be reasonable. " Please, please, please play along with me.
Like Alice said "So long as I get somewhere..."
I'm ok. I know it doesn't sound ok, but I am.
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closure,
o passado no presente,
relationships
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Adam Lives in Theory
Adam lives in theory
Trying to turn stone into bread
Masquerading like he got it figured out
Cut off from the sunshine, only smart in his own head
Leaving his descendants to hope and doubt
Left to his devices, those worthless sacrifices
Praying to the alter of himself
Making pilgrimages, thinking he's religious
Like he's got all the light, and no one else
He takes the unsuspected
Cuz he knows they're not connected
And he shows them how to be just as he is
Virtually real, and commercially appeal
To the lust of all the people where he lives
...
Eve
Caught up in emotion
Burning up in her devotion
To the king of exploitation in the field
She handed him her virtue
Cuz he told her "I won't hurt you"
So she lay with him to see how good it feels
...
But much to their demise, poor decision closed their eyes
To the very antidote to their dilemma
Burning in their lust,
Both of them, adulterous
Destroying the original agenda
Praying to the sky, in order to maintain a lie
They exhausted every possible conclusion,
They can't even entertain
the solution in a brain
filled with vain information and pollution
Lauryn Hill - Adam Lives in Theory
Meu veneno está atiçado novamente.
Náusea e suor que me remetem - - - woosh!
Flashbacks
Gostaria de re-editar minha história, quem sabe a dura realidade dos fatos virariam prosa e após ainda mais edição, quem sabe - poesia?
Now can you tell me what we're gonna do now, where we're gonna go now, what we're gonna say now?
Now can you tell me what we're gonna do now, where we're gonna go now, what we're gonna say now?
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closure,
I am in poetry,
o passado no presente
sábado, 25 de setembro de 2010
1 Year Anniversary
October in Vermont
A year ago just about, I was preparing to go on another visit to the States. See Dad, see sister, take a vacation and strentghen up for my return.It was a milestone in 2009 and for that matter, a milestone in everything that includes US travel.
Sunny in Boston
Last year was a hell of a year with lots of phases and ups and downs and downs and downs and then a little tragic high ending in a much needed and fruitful down. That made no sense if you are not privy to the details of my life, but rest assured, it makes sense.
So when September came around I finally decided I'd had enough of the homeopathic attempts to stabilize and I'd had enough of resisting looking for a psychiatrist on some unexistant principle, just because I knew it'd be frowned upon or seen as a sign of giving up. But after a teacher talked to me and said "only you know what you're going through, não são eles que carregam esse sofrimento", I decided I had had enough of giving all the alternative treatments more and more time.
I was falling apart by September, stumbling through my days in yet another version of maya's breakdowns. I was so angry at myself. Unlike other times, I could not have sympathy for myself, because it was just getting so OLD! I felt out of control, I felt tired, exhausted and so sick of the same cycles.
Journal Entry, Sept. 13th, 2009
There's no point, it seems
in trying to make sense of anything
until I fix
my brain chemistry that's running
completely amok.
Because it's like...so many things come to mind, desires, hopes, fears, and at the end of the day, they just cancel each other out.
Comfort zone - dispair
Dreams - Blackness
1. Psychiatrist - urgent.
At the same time, I somehow decided that it would be a fine time to take a trip to the States. Don't ask me how I put that together, but it actually worked out well. I went to the psych and a week later I was on a plane, my bag full of my new munition. I was taking this trip to be able to bubble up, to protect myself in these precious first few weeks of waiting for the chemicals to do their magic.
I felt like I was removing myself from Brasilia in order to bubble wrap my soul. I was going to the country of indulgement and Lord how I indulged! First of all, I slept. I slept everything I wanted to, guilt-free. Second of all, I ate. I gained back the kilos I had shed with my apathy and crying fits. I ate fried food shamelessly, licking grease off my fingers and asking for more.
Journal Entry, October 8th, 2009
Stability. I feel like my emotions or better, my thoughts, have safeguards on, or a seat belt, or SOMETHING. A tree is justa a tree is just a tree. LIFE, is just life and it's actually, GOOD. There's promise, there's joy, there's serenity and acceptance. There's ME.
I have voglia un'altra volta. Appetite, WILL, etc.whatever you wanna call it.
Oct. 11th
Nothing is so urgent anymore, nothing is live or die.
Oct.14th
FOOD at Quincy Market
Hot Chocolate
Sinto falta de lá as vezes e olho para essa viagem com muito carinho.
Faz um ano dessa rodada de psiquiatra e entramos na fase de re-considerar a sua necessidade e se está chegando a hora da retirada. Fica para os próximos capítulos!
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