domingo, 27 de março de 2016

Relato de Parto da Violeta - VBAC - Parto humanizado hospitalar

Para contar a história do parto da Violeta, tenho que começar com o parto da minha primeira filha, Cora. Tende a ser assim, não é? Tudo conectado e relacionado. O contexto de um parto nunca pode ser subestimado.

Em resumo, pois a história é longa: Foi uma gravidez inicialmente conturbada, pois implicou na mudança de status de todo mundo – de dois namorados que moravam na casa dos pais para uma mãe e um pai morando em um novo apartamento juntos assumindo todas as responsabilidades de uma família de uma só vez. Mas estávamos prontos para esse passo, a gravidez nos deu o empurrão necessário.
Minha saúde estava perfeita a gravidez inteira e eu sabia desde o começo que queria um parto domiciliar. Fui atrás de indicações e fiquei com as primeiras pessoas que encontrei, uma equipe de enfermeiras obstetras. Achei a Caren, que respeitava a escolha. Como doula, escolhi uma amiga querida minha que me ajudou a lidar com a gravidez desde o princípio. A escolha do PD não foi tranquila para todo mundo da familia, passei muito tempo tendo que conversar, explicar, marcar encontros... O trabalho de parto foi longo, gradual, durando mais de 24 horas. No final, com 10 cm de dilatação, não sentia vontade de fazer força e a exaustão foi tomando conta...o que culminou numa transferência e meu pedido de cesárea pois não conseguia tentar mais. Não sei se foi uma cesárea necessária ou não, e ficaram muitas coisas mal-resolvidas entre todos envolvidos...

Dessa vez, eu pensei, vai ser diferente. Eu vou achar pessoas com as quais realmente tenho afinidade, não vou ter medo de explorar diferentes opções para o pré-natal, e não vou ter medo de dizer não se eu sentir que algo não está legal.
De cara, assim que descobri a gravidez, sabia que marcaria a consulta com a Dra. Caren. Não tive dúvidas. Ela tinha acompanhado a primeira gravidez, mas não o trabalho de parto, e fez a cesárea. Eu precisava dela presente, como uma continuação da história que não havia se fechado ainda. Ela me acolheu como se o tempo não tivesse passado, e dessa vez eu consegui me abrir muito mais, confiar muito mais. Desde o começo ela se mostrou confiante na possibilidade do parto normal, nunca me dissuadiu da ideia ou deu a entender que era algo absurdo de se pensar. E o mais importante, ela sabia da importância dessa segunda chance para mim e adotou a causa.
A gravidez foi relativamente tranquila, em outro ritmo da primeira, justo pq nossa vida já estava em andamento, tínhamos nossa famíia, casa, rotina, trabalhos…a gravidez foi um detalhe a mais que encaixou na história que continuava a fluir, não foi como da primeira vez, onde tudo parou e deu um salto mortal de cabeça pra baixo.
O primeiro trimestre passou sem que eu conseguisse pensar (ou sentir) muito em parto, ou preparação para o parto, ou se seria domiciliar ou não, ou com quem seria. Ao mesmo tempo que procurei a Caren, procurei a equipe de PD Luz de Candeeiro, pois eu havia feito vinculo com elas no final da gravidez da Cora e elas me ampararam no pós-parto, me escutando e encaminhando para conseguir mais ajuda e apoio. Achei natural que elas seriam a escolha para a segunda rodada. Cheguei a ir duas vezes nas consultas…elas foram muito ponderadas, disseram para eu não tomar uma decisão rápido, dar tempo para o parto ir se construindo dentro de mim. Uma coisa ficou clara de cara.. não dava para ter as duas equipes – Caren e Luz de Candeeiro – eu teria que escolher um caminho ou outro. E quanto mais eu pensava na ideia de NÃO ter a Caren no parto, mais meu coração apertava. Então eu respirei fundo e decidi acreditar nessa intuição – por mais que o PD fizesse sentido racional, o hospitalar (por ser com a Caren), fazia sentido pro meu coração. Então entrando pro segundo trimestre, a decisão estava tomada. Caren e pronto. Agora precisava achar minha doula.
Com ajuda de uma amiga que estava fazendo o curso de formação de doulas, fui parar numa roda de gestantes da Adele (doula). Tive dificuldade de me conectar ao tema, uma resistência grande. Mas aos poucos fui me vinuclando àquele grupo, à Adele… Acho que não faltei mais nenhum sábado depois daquele, assídua! Decidi rapidamente que queria a Adele como minha doula. Achei ela tão bem-informada, sensata, pé no chão, alguém que acreditava no parto normal, com boa energia, mas que  também entendia as variações do normal (ou seja, não romantiza demais ou acha que só existe um resultado ideal). Era isso que eu precisava! Alguém que me apoiaria para o que desse e viesse, que se fosse para ter outra cesarea, me forneceria o mesmo amparo e carinho.
E assim minha equipe se fechou – Adele e Caren, simples e sem grandes problemas de ter que lidar com a família (as palavras obstetra e hospital acalmam geral – ao contrario de parteira e casa!!). E sinceramente, eu percebi que eu não fazia questão de um parto domiciliar, eu queria um parto! Meu medo e resistência ao hospital haviam sumido. Uma parte de mim até se sentia mais segura com a ideia do hospital. Incrível como as coisas mudam em nossas vidas. No início desses encontros, não conseguia acessar mais o parto da Cora. Eu contava e recontava a história e aos poucos, algumas fichas foram caindo, algumas visões foram mudando e quando consegui rever as fotos e os vídeos, finalmente a enxurrada de emoções saiu. Pude chorar algumas coisas, expressar medos, raiva, indignação, perguntas que haviam se calado e que voltavam com força total. Com a ajuda da Caren, Adele, e outros personagens que entraram na história no meio do caminho consegui chegar a um lugar onde eu realmente sentia “essa é outra história. A da Cora foi o da Cora, agora está tudo diferente. Eu estou diferente, o momento de vida, essa bebê, essa gravidez, a assistência que escolhi...está na hora de seguir adiante!”

Os pródromos:
é…acho que estamos no 3o trimestre
Cheguei na 36a semana e comecei a sentir muitas cólicas e contrações leves, que iam e vinham. Os famosos pródromos. As vezes chegavam a ser tão fortes que eu podia jurar que estava entrando em TP latente…mas não era. Foi uma espera longa, por vezes sofrida emocionalmente (haja resiliência para lidar com tanta expectativa e “falsos alarmes”) e por algum motivo, na minha cabeça, a gravidez já tinha acabado. E nem estava perto da 40a semana! Tive que trabalhar isso dentro de mim muitas vezes. Parava de trabalhar aí decidia que não podia parar tudo, retomava o trabalho. Me cansava, parava...tinha certeza que ia acabar...mas mais uma semana ia e vinha. Eu estava muito agoniada, cada dia era uma eternidade, parecia. Chorava fácil, me irritava mais fácil ainda…Chegando na semana 38, comecei a fazer uso do Buscopan pq não aguentava mais ficar sentindo dor sem que fosse o TP… Junto com a Caren fomos avaliando se talvez não fosse o caso de começar a fazer umas intervenções, só para que a ansiedade não tomasse conta de mim. Aceitei de bom grado.
Então começamos, perto das 40a semana, a fazer descolamento de membrana (a primeira tentativa não deu certo, o colo estava muito fechado e foi dolorido demais)…Na semana seguinte já deu para fazer o descolamento, estava com 2 cm e o colo apagado mais um pouco. Também fiz acupuntura para ver se ajudava…e mais uma semana se passou. Chegamos na semana 41.
A essa altura eu estava quase em pânico, pensando que não ia entrar em TP nunca e que o parto era um sonho que não ia se realizar. Montamos um plano para aquela última semana, começando com mais um descolamento, mais acupuntura, e depois monitoramento e exames para verificar o bem-estar da Violeta, e se necessário, uma indução no hospital pouco antes de completar 42 semanas. O importante era trabalhar o colo do útero, para que essa possível indução tivesse mais chances de dar certo, já que com uma cesárea prévia, as opções de indução eram limitadas.
Lembro que a Caren foi fazer o último descolamento (que foi bem mais fácil e menos dolorido) e falou com tanta certeza e energia “Pronto, essa foi sua indução!” que fiquei impressionada.  Como quem diz: “Fiat Lux!”. Fui pra casa, fiz mais uma sessão de acupuntura e relaxei. O que eu podia ter feito, eu havia feito. Eu confiava plenamente na conduta da Caren e mais importante ainda, eu sabia que ela desejava esse parto também. Se fosse necessária uma indução, tínhamos feito tudo dentro do possível. Não estava em minhas mãos…na verdade, nunca esteve.
Fui dormir aquela noite mais pensativa, mais centrada. Quando fui pro chuveiro tomar banho a Cora disse, “Isso! Vai tomar banho para a Violetinha nascer amanhã!” Aquilo me fez rir e fiquei muito feliz, pois vai que..?
Aproveitei aquela noite e segui a sugestão de uma amiga...ela disse para eu escrever uma carta para a Violeta sobre como eu estava, meus medos, meus pensamentos, tudo...quem sabe não ajudava? Escrevi, e rapidamente surgiu uma questão que me fez chorar e chorar...que era o adeus a uma etapa da minha vida, a etapa da minha Cora bebê. Me dei conta que era preciso virar a página, uma página que já tinha começado a se virar, 9 meses atrás! Era ilusão achar que já não tinha mudado, que a Cora já não tinha se dado conta e se adaptado ao seu novo lugar! Era eu que tinha que dizer adeus e abrir os braços e o espaço dentro de mim para o que estava por vir. Então silenciosamente disse para a Violeta – agora estou pronta, agora é sua vez. Pode vir.

O parto

Acordei aquela madrugada, dia 9 de março de 2016, às 5 da manhã sentindo cólicas fortes. Não consegui ficar na cama e fui para a sala onde mais desperta pude sentir o que estava acontecendo. Eram cólicas fortes que começaram a ficar regulares...mas como já havia passado por aquilo antes, fiquei observando e esperando passar....Mas deu 6 da manhã e não haviam passado. Escrevi uma mensagem para a Adele dizendo que achava estar em trabalho de parto, mas demorei mais duas contrações antes de enviar, com medo de ser outro alarme falso. Ela respondeu falando para entrar no banho e esperar ficarem muito doloridas...fiz exatamente isso enquanto Ezequiel foi na padaria comprar pão pro café da manhã. Nisso a Cora acordou e aos poucos foi se dando conta de que a irmãzinha estava nascendo. Ela ficou uma pilha, falando pelos cotovelos, querendo ajudar.

Ativei minha rede de amigas que tinham se comprometido a acender a mesma vela onde quer que estivessem para mandar boas energias pro parto…essa parte foi linda e emocionante. Sabia que ela estavam comigo. 
Rede Materna, ativar!


Avisamos a Caren, que foi acompanhando por mensagens, orientando que eu comesse, observasse a movimentação da Violeta. Pelo menos consegui tomar um chocolate quente  e um sanduíche…calorias que seriam gastas rapidim. Uma hora depois, mais ou menos, a Adele chegou e àquela altura já estava doendo bastante, a ponto de provocar vômitos. Era uma contração atrás da outra, com pouco tempo de intervalo. Lembro da sensação como se uma faca tivesse entrando nas costas e no pé da barriga. As cólicas já não eram cólicas, ou uma sensação forte, eram contrações que arrebatavam meu corpo inteiro. A partolândia começou a tomar conta de mim, uma tonteira, um distanciamento de tudo ao meu redor, ao mesmo tempo em que estava plenamente ciente. Difícil explicar. Achei meu grito de guerra rapidamente – Ai ai ai ai aiiiiii..... Às vezes baixinho, as vezes gritando (ao meu ver! Depois nos vídeos vi que não estava gritando). Mas nunca em desespero. Eu lembro que quando começava a voltar a contração, eu começava a pensar negativamente, o tal do “Não!!!  De novo não!!” mas rapidamente deixava o não para trás e aceitava – e  assim foi até o final. O “ai ai ai” era uma forma de expressar essa aceitação: vai doer, está doendo, está doendo MUITO, e agora está passando…”

A família no banheiro antes de saírmos

A Adele ajudou apertando o quadril, que me aliviava muito...ela ensinou o aperto mágico pro Ezequiel e esses continuaram até o final, sempre que estivesse em uma posição que permitisse o aperto. Ela me dava água, suco, colocava uma compressa quente na lombar e sugeriu mais um banho antes de sairmos de casa...tudo era bom!


 A Caren pediu para encontrarmos no consultório, que ficava perto, para ela poder me avaliar e ter certeza que estava na hora de ir para o hospital. Ela não queria que fossemos parar no hospital cedo demais, com medo de que isso pudesse fazer o trabalho de parto parar, ou que o ambiente hospitalar causasse alguma mudança na evolução (ela conhecendo minha sensibilidade e entendendo a importância do que aconteceu no parto anterior).

Bastou ela ver que eu não ia conseguir subir até o consultório, que estava com 8 cm de dilatação (que foi constatado depois de um exame de toque no carro) e que eu não ia aceitar voltar pra casa, que decidimos ir logo para o Santa Lúcia. A viagem de carro foi uma mini tortura. Não tinha posição no banco de trás; eu me contorcia tentando me ajustar às contrações que ficavam mais forte com cada sacudida do carro, cada curva, cada pedra no caminho. A Cora estava no banco de trás comigo segurando minha mão. A certa altura ela começou a gemer quando eu gemia. Isso me fazia rir no meio da dor, minha linda tão calma e tão apoiadora naquele momento! Era como se ela acompanhasse partos desde sempre!
Contrações no carro - nada agradável


Chegamos no Santa Lúcia em plena manhã, por volta das 9 (??) e tivemos que passar pela recepção da emergência para chegar até os elevadores. A cada dois passos parecia que vinha outra contração. Foi muito difícil atravessar o saguão, e eu sabia que todos os olhos estavam em cima de mim, que gemia, vomitava e me contraía sem me segurar. Eu estava parindo!!! Não era hora de me importar com a opinião de ninguém! Foi libertador...

Por algum motivo o hospital estava fechado, ou a maternidade? Não lembro ao certo. Não queriam nos deixar subir. Com a ajuda da Caren e umas apeladas (“então tudo bem nascer aqui embaixo?”) entramos logo para a sala de parto normal. Já estava bem perto do expulsivo, na fase de transição.
Lembro que entrei lá e não abri o olho até o final. Tudo que existia eram as contrações, meus gritos, e as vozes de Caren, Adele, Ezequiel e algumas enfermeiras que não registrei. Como disse, estava longe, mas plenamente ciente de tudo. As sugestões da Caren e Adele eram registradas e por mais que pudesse doer ou eu sentisse que não fosse conseguir, no final respirava fundo e conseguia mudar de posição, conseguia deitar para o toque, conseguia levar a respiração até lá embaixo para oxigenar a Violeta. Teve uma vez que a Caren não conseguia escutar o batimento dela, mas era só uma questão de paciência e estava lá, firme e forte - me disseram que ela estava atrás do osso púbico e por isso a dificuldade.
Caren "sentada para o parto normal!"

Não sei dizer o tempo, mas logo depois comecei a perceber que no final da contração, se eu fizesse uma força consciente de cocô (cocô MESMO, sem vergonha, sem medo!) eu começava a sentir alívio e a vontade ficava mais forte. Lembrava de tudo que havia escutado nas palestras, nas rodas, nos relatos de parto – sabia exatamente que era o começo dos puxos. Doía tanto mas eu sentia tanta felicidade de saber que tudo estava evoluindo tão rápido e tão bem!! Eu lembrava da Adele falando da hora da covardia, que é quando começamos a questionar se realmente damos conta, e que isso queria dizer que estava muito perto de acabar...então com cada desespero que queria tomar conta (vontade de pedir analgesia, vontade de desistir, questionamentos sobre se eu dava conta mais) eu transformava aquilo em algo positivo – “se eu estou querendo desistir, se eu acho que não aguento mais, é porque está quase nascendo!!!”. Se eu me permito rachar de dor, eu me permito abrir, eu permito que a Violeta passe por mim. Então fiquei num misto de dor, suor, cansaço e sorrisos internos, pensando em todas as pessoas que estavam vibrando por mim, pensando na minha felicidade de estar acompanhada por pessoas que me queriam tanto bem e que eram tão competentes....E a cada “você está indo muito bem, Maya” “é isso mesmo” e outras frases de apoio, orientação e incentivo, eu sorria ainda mais por dentro.
Em algum lugar estava sorrindo por dentro… :)

No final, foi sugerido a banqueta, pois os puxos na maca não estavam tão eficientes. O Ezequiel ficou atrás de mim e me apoiei totalmente. A mão dele era extensão da minha e ele pode sentir a força do terremoto que trazia Violeta ao mundo. A bolsa estourou em cima da Caren em outro toque...xuáá!
Desse modo busquei energia para cada puxo, para cada força que fazia...e me disseram que foi rápido! Quando escutei a equipe da pediatria entrar, senti mais felicidade ainda, isso queria dizer que estava perto MESMO! Teve uma hora que a Caren me explicou que ela estava prestes a sair, para eu não segurar, por mais que desse vontade. Perguntou se eu queria sentir a cabeça para eu ver que não havia “mais pra onde ir a não ser fora”. Com uma mistura de pavor e curiosidade coloquei os dedos bem de levo e senti.

Não queria aquela história de cabeça indo e vindo, massageando o períneo, queria que ela saísse!!! Não segurei a força. Puxos longos, um gemido do fundo da minha alma que ninguém podia segurar e comecei a sentir a cabeça coroando! Senti direitinho!! Não senti como um círculo de fogo exatamente, apesar de saber que era isso que estava acontecendo – sentia como uma pressão tremendo, a pele do períneo se esticando ao máximo e...PLUFT!! A cabeça saiu! E o resto escorregou para fora e escutei “Nasceu!!” Um peixe escorregadio foi colocado na minha barriga, ouvi e senti o Ezequiel chorando de emoção atrás de mim. A Caren foi quem pegou e assim que sentiu o peso adivinhou “4 quilos!”.

A maior sensação? Incredulidade? Alívio? Não entender como havia conseguido? Que o mais difícil havia passado!!! Felicidade! Estava vivendo tudo que não tinha conseguido no primeiro parto, um parto super fisiológico, natural, ritmado. Em meio desse turbilhão, porém, também senti uma calma tremenda.  Fiquei com ela no colo, choramingando “a gente conseguiuuuu!!” Não conseguia acreditar. Logo depois veio o "Acabouuuuu!!" A felidicade era geral, de todos na sala. Tinha sido uma vitória de todos que haviam conseguido re-escrever uma história junto comigo. 

A pediatra avaliou e nos deixou, não teve pressa em nos separar. Mas logo veio uma enfermeira ou técnica que pediu para avaliar, alegando que não podia ficar esperando a tal hora de ouro. Isso causou um estressezinho, mas eu lembrei que ainda havia a placenta pra nascer e não fiquei tão incomodada de levarem a Violeta enquanto me concentrava na próxima etapa do processo. Me colocaram na maca para ficar mais confortável e logo comecei a sentir muita pressão novamente, como se outro bebê quisesse coroar. A placenta estava saindo, e com um ajudinha, saiu de uma vez, seguido de bastante sangue, uma cachoeira! Rapidamente a Caren entrou em protocolo hemorragia (algo para o qual ela estava pronta, já que havia ocorrido hemorragia na cesárea da Cora) para prevenir uma situação mais grave. Mas foi o suficiente para eu descompensar, a pressão caiu e fiquei alguns minutos para me recuperar, lutando para não perder a consciência, chupando balinha, suco, água, pirulito...Levei três injeções de oxitocina no bumbum e tinha oxitocina no soro também.

Depois que estabilizei, avaliaram o períneo e houve somente uma pequena laceração de pele, que levou alguns pontos.  Bebê grande, expulsivo à jato, e somente uma pequena laceração de pele! Me senti super vitoriosa. A essa altura a Violeta estava de volta comigo e o peso se confirmou, 3,990 kilos, 51 cm. Uma bebezona pronta para a vida. Ela foi classificada como GIG, ou grande para a idade gestacional, que foi questionado pela equipe, pois ela tinha nascido com 41 semanas e 1 dia. Mesmo assim...protocolos de hospital...tiveram que ficar monotirando a glicemia dela de tantas em tantas horas (e foi o motivo pelo qual ficamos duas noites internados em vez de só uma).  Mas ela não teve nada e não precisou de complemento em momento algum.
Acabou!

Me lavaram, arrumaram, e fui para a sala de recuperação enquanto Ezequiel arrumava toda a burocracia da internação e convênio que não tínhamos tido tempo de fazer antes do parto. Adele ficou comigo até poder trocar de lugar com ele…

Nesse tempo todo, Cora estava com os avós no hospital, e eles estavam aguardando no apartamento a nossa subida.
Fiquei com a Violeta embaixo, completamente enamorada, serena, tendo flashes do parto, tentando entender o que havia acontecido...e o mais impressionante, me dando conta que ela tinha uma marquinha na testa no formato de um V! Era mesmo para ser Violeta, nome que causou tanto vai e vem e dúvidas durante a gestação.
E foi assim! Simples assim...De tão simples me deixou encabulada, tentando entender! Não tem muito o que entender além de: Aconteceu! Consegui! As dúvidas e sabotagens que tinham me atacado durante a gravidez inteira não tinham mais mérito. Eu também podia parir, eu pude viver essa experiência!

Depois de passar por essa experiência, algumas coisas ficaram bem claras para mim. Por exemplo – não acho que o parto normal é algo que toda mulher TENHA que viver, não acho que seja assim. Acho que se for algo que você quer, você devia ter todo o direito de ter as condições ideais. Você tem que querer, sim, e querer muito! Por que vai doer mais do que qualquer coisa e se alguma coisa vacilar, é muito fácil aquilo virar uma experiência traumática ou pedirmos “para sair” Eu pude sentir na pele a fragilidade do momento – qualquer dúvida, medo, resistência aumentava a dor em mil por cento...Então imagina se não confiasse nas pessoas ao meu redor? Imagina se fosse recebida com palavras agressivas? Se não tivesse tido respeito? O parto já é traumático, no sentido de que seu corpo passa por algo incrivelmente forte que exige recuperação e tempo para assimilar – agora imagina se além do trauma “natural”, digamos, ainda haja traumas emocionais, violência obstétrica, etc.? Me arrepio só de pensar!

Então ficou essa lição para mim, além da libertação de ter conseguido fazer do “meu jeito”, realmente escutando meu coração (o que não foi fácil) – isso me fortaleceu, pois eu tive a confirmação de que meu jeito dá certo, também é válido! Que não tem nada “errado” comigo, ou incompetente...eu faço bebês grandes e tudo bem! Eles nascem!

E são tantas outras lições, sentimentos...No momento fico com o puerpério que continua a exigir respiração profunda, fé no futuro (de que é só um momento e vai passar....), recuperação da anemia que ficou da hemorragia do pós-parto imediato e de outro incidente que me levou a receber transfusão de sangue (outra história!), ajustes mil aqui em casa com a família, cada um aprendendo seus novos lugares. 



Sou extremamente grata às mulheres que me acompanharam, começando com Caren e Adele e todas as outras que cruzaram meu caminho ou que já estavam juntas comigo desde antes da gravidez (Rede Materna, o que dizer de vocês???). Mulheres que juntas me deram força e coragem para passar pela gravidez e o parto, escrevendo outra história. Também sou grata ao Ezequiel que acompanhou da forma mais íntima possível o nascimento de sua filha e me emprestou sua força e solidez no momento mais importante... isso com certeza serviu para nos aproximar ainda mais.

Links para alguns recursos e profissionais que considero muito:

https://adeledoula.wordpress.com
http://matriusca.com.br
http://birthwithoutfearblog.com
http://alaya77.blogspot.com.br

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Being a successful failure. Or a failing success?


Hello. Long time to write…I haven't been in the mood with so much going on, the idea of stopping just to write about ME has not been appetizing. But now it is again, because every so often I get the urge to speak out about things, especially things that I feel I can't normally say or tell people, out of shame or just awkwardness. 

Everybody who know me knows that in general, I do pretty well with whatever I set my mind to do. And it all seems to come so "naturally", effortlessly..that is half true, it is easy for me to do lots of things, but the emotional part behind it is everything but. 

Do you know what it's like to be successful failure? It mess that whenever I get something right - I don't think, wow, yes! I think, whew, relief! THIS TIME I GOT LUCKY. AGAIN. It always seems to be a matter of luck. And then the FEAR of being discovered as a failure gets worse and worse with each "success". The bar gets set higher and expectations as well, and the fear of disappointing is so great. And any time something does NOT go so great, I take it really hard because after all, it just confirms what I've been trying so hard to hide - i really am a failure! See? When something doesn't go well, I freak out because to me, it feels like I'm being exposed for the fraud that I feel like. This especially applies to the areas of "I'm not really an adult", "I don't really know English THAT well" and even "I'm not a real American…or I'm not a real Brazilian" - and when I got my degree in Psychology, the idea of being an impostor of a psychologist was so terrifying I absolutely abhorred the idea of practicing that profession. The stakes were way too high for me. 

What is this "fraud" syndrome thing? I've read it is a real thing, as in, lots of people feel this way. "Imposter Syndrome" if I'm not mistaken:

“The beauty of the impostor syndrome is you vacillate between extreme egomania and a complete feeling of: ‘I’m a fraud! Oh God, they’re on to me! I’m a fraud!’ So you just try to ride the egomania when it comes and enjoy it, and then slide through the idea of fraud.” – Tina Fey
“The beauty of the impostor syndrome is you vacillate between extreme egomania and a complete feeling of: ‘I’m a fraud! Oh God, they’re on to me! I’m a fraud!’ So you just try to ride the egomania when it comes and enjoy it, and then slide through the idea of fraud.” – Tina Fey
“There are an awful lot of people out there who think I’m an expert.  How do these people believe all this about me?  I’m so much aware of all the things I don’t know.” Dr. Chan, Chief of the World Health Organization
“I still think people will find out that I’m really not very talented.  I’m really not very good.  It’s all been a big sham.” – Michelle Pfeifer
“Sometimes I wake up in the morning before going off to a shoot, and I think, I can’t do this.  I’m a fraud.” – Kate Winslett
“I have written eleven books, but each time I think, ‘uh oh, they’re going to find out now. I’ve run a game on everybody, and they’re going to find me out.’ “ – Maya Angelou

FROM: http://startupbros.com/21-ways-overcome-impostor-syndrome/

This feeling haunts me, sometimes stronger sometimes almost gone, but always there…It is emotionally draining, one drop of perfectionism at a time, which is not really perfectionism, it's just an attempt to not be discovered. It's really neurotic, totally neurotic - I mean, who are "THEY" and what will they "DISCOVER"?  That I, like everyone else, can make mistakes? That in the back stage of doing "a good job" I actually am an ocean of insecurity? How can anyone take me seriously if they find out how much I doubt myself? 

I guess this is just a beginning for me of discussing the issue, no conclusion of epiphany. Maybe a start of a conversation with all others who feel like this. Do you feel like a successful failure who just gets lucky a lot? How do you deal? How don't you deal? 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Being pregnant is tough. There.



So, week 10 into pregnancy #2. Many things different, many things the same.
First of all, there is nothing very new about the experience, been there, done that, even if each pregnancy is unique, I feel very calm about it, not researching every single development of every single week, or even caring too much about what week I am in, or my tests, or my doctor's appointments. They are details.
And then, many things are the same. The fatigue, the overwhelming feeling that takes over when I realize I am not in control of my body, or that it is reacting in unpredictable ways. The speed of my weight gain terrorizes me, makes me feel ashamed, like I should be doing everything different, or like I just can't get pregnancy right. It really messes with my self-esteem.
I get resentful a lot of the time. Like, why do I have to deal with all of this and everyone else just gets the cute baby to cuddle in the end? And I'M the one who has to see my body morph, vomit, feel sick, stretch, contract, bleed, have mood swings, lose sleep, leak milk, etc. AND listen to endless comments/advice/cautionary tales/opinions/reprimands/what I should do/what I should't do, it is an invasion, a very very culturally accepted invasion. What is it about pregnancy that says "HEY, I AM A PUBLIC BODY NOW, please feel free to comment!" :(
It makes me VERY protective of my own self. Like it's me against the world. I'm trying hard to work with this feeling, so I don't get too hostile or down on myself, but it's tough. Engrained in my cells. I feel like preserving this baby and myself as much as possible, for once it's out in the world, it gets harder and harder to preserve a baby, especially as they grow and make it a point of getting muddled in the world. That is the whole point, after all, and it's great when it happens, but for now, you are deep in my insides and I hold you close as if holding myself close, for that is the nature of the symbiosis that we are.

I hope I can get into a less messy place, but something tells me that pregnancy was never meant to be "clean" or all pink and rosy. But maybe just a little more peace and inner calm?

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Back to School...


My daughter will be starting preschool in four days.
Several strange sensations come and go.

My first-and-so-far-only daughter will be starting preschool and I realize it is the dawn of a whole new chapter in our lives. As simple as preschool seems, I am already inundated by a plethora of school requirements, and I feel like I am the one being evaluated here, the kids are just a distraction while the real test takes place: Can you face school all over again, from the very start? Will you pick the right clothes? Will she have the “right” brand of toothpaste? All these comparisons, taken to the mommy-level.  
I thought this was a done deal when I grabbed my high school graduation, but I see it all coming back in little increments. 
Furthermore, it's a whole new level of parenting choices exposed: the food I send in her snack bag, the shoes I chose for her, the way she deals with separation, with rules, and other adults, other children.
We'll be ok, right?
I am at the least, very, very curious.

Oh my god, what if the teacher is mean?

:P

domingo, 11 de janeiro de 2015

No Rush

No rush, no rush,
but!
Hush, hush!
No rush.
I am tired of the rush, and I promise, after my body came to a screeching halt this weekend, I realized, this is a sign. I might have eaten something that intoxicated me, but it was a sign nonetheless.
SLOW THE HECK DOWN.
What is the rush?
Cherishing the moments with Cora, her view on life, her kisses and silliness, what's the rush? It'll change on its own, so don't wish it away. Let the other stuff fade away into procrastination, into the "I'll do it later", but not my life, her life, the sound of the wind in the trees, the nice feeling of lying on the floor with her watching her fall asleep by herself and her blankie.


sábado, 22 de novembro de 2014

Birth Story Version 1 of ?, Chapter 1 of ?

Taken away to another world, wave after wave

I’m never quite sure if this story is better told in English or in Portuguese. It was almost entirely lived in Portuguese, if there is such a thing, but I know that I am able to express things in English that access parts of me that Portuguese does not. And I am curious, as I have written about this in Portuguese before, but not in English. Thus, I feel my words may surprise even myself. Especially myself.

So all right, another birth story. Another one!  But no, to me it is the only one, the only birth story to come out of my womb and my 10-month-old ovalish belly.

The end of the pregnancy was as gradual as the waxing bump, or so it felt. With an initial series of bumpy, stop-and-go crampy days, then a build-up of doctor’s appointments and serious concerned faces as the “you’ll probably won’t need our next appointment” turned into “well, now I need you to come in every other day”…and the “each birth has it’s own schedule” turned into “why don’t you schedule some acupuncture and let me do this little maneuver here on your cervix?”…And that 41st week dripped by in increments of wait…wait…wait…ping, pong, ping.
41 and 1 day.
41 and 2… 
41 and 2 and half…
Every contraction I felt set all systems into full alert and I had to control my eagerness and joy at the possibility of that being “IT”. But it never was.

41 and 2 and three quarters…

What happens at 42, I wondered, do I explode? Do I implode? Desperation starting taking over me, as the words c-section started to hound my plans for a home birth. “BIG BABY” was another classic.  Perhaps you are diabetic? Let’s just be sure, let’s submit you to 1000 tests which just happen to be your greatest phobia, but I’m sure it’ll be fine. And they were.
BIG BABY, said the ultrasound technician, does your doctor KNOW about this? I would call her right away!
BIG FRICKIN ME, I would retort in my mind, BIG MOM, just suck it up! But no, of course I said nothing.

So then…

41 2 days and 9/10ths….
Plus a brew of chocolate, cinnamon, ginger, and many other things that might sound fine separately and in homeopathic doses, but on this particular Friday evening, was a concoction meant to churn the stomach, taste buds and eventually, my uterus.

And so it did. The tightening of the belly started up once more, and once more I had to curb my enthusiasm – be careful, I said to myself, it could be more of the same…but it wasn’t. One after the other. One, after, the other. Little waves. No rhythm though, or regular intervals, but they were there to stay.
Slowly everyone was activated. Husband, check! Doula, check! Midwives, check! The doula/my good friend came over first and would stay till the end. One midwife of the pair came to check up on me and perform one of the maaaaaany checks that would take place over the next X hours.
I can’t even say how much I was dilated (or not dilated), but it is enough to say that I was still in very early labor, and that she would only come back once active labor started, after 4cm. So she left, and I spent that night enjoying my contractions and getting used to that tightening sensation. Finding positions, finding mind-body connections that helped…I learned to zone out completely, give in to the pain, and thus I slept during some intervals, all through the night.
zoning out in early labor

And then, morning came. Light, sunshine, renewed energy. The other midwife came and another dilation check.
Some more progress, small, but it was happening. However, we seemed to have entered the initial stages of active labor, so the midwives took turns staying with us that Saturday, never leaving us alone.  
I did not feel discouraged and felt like rolling up my sleeves and saying, alright, let’s get this started!

And from here on I have really hard time with the timeline. Something like this, ready?
All family and close friends were informed of labor in progress (as I said, my end of pregnancy had become an issue of concern and quite the SUSPENSE topic, when will it be, when will it be?? So there was no one who was not aware that a baby was supposed to be coming out at any moment, THEREFORE, it was impossible to hide the news, as people called and texted).
So Ezequiel spent quite some time updating and tranquilizing people: all is well, labor is progressing, no, no baby yet, all is well, etc, etc, a loop of the same answers.
And then…pain got worse, I remember lots of throwing up during contractions. I remember the taste of vanilla ice cream, I remember straws, I remember honey, I remember the shower, I remember finding perfect positions on the bed, propped up with lots of pillows…I actually liked lying down, even though it’s supposedly one of the worst positions. Being on all fours was unbearable, I remember that too…
And I remember that evening started encroaching and someone asked if I wanted another check…and yes I did!! I felt like I was about to get an A plus after so much hard work..so I lied down and had that horrible check done and…
No change.
No change.
Hum.
Ok then. That news fell like a ton of bricks, but I did my best to throw the bricks away and remember that time meant nothing, as long as we were well, it meant nothing. 

And the messaging got more intense, the phone calls to my mom, who was beside herself with worry and after a few hours of no updates thought to herself: Well, that MUST mean the baby has been born!! Of course! And so she came over unannounced to the apartment, toting my grandma along for the show. What a disappointment for her to see me still in labor, what a fright and horrible reaction she had…the entire atmosphere of patience and calm and concentration started crumbling.
So now there was that. There were my own concerns, my own process of getting through the contractions, trying to understand what another night in labor meant, and the concerns of the entire world following me via text messages. And my mom. And grandma. Who were now also wedged into the little tiny apartment.

That night I threw up a loooo-ooot, I remember that, but I also got back in the zone and was able to forget everybody there. I didn't want to know about time, time was absolutely relative and irrelevant. I got into my lying down hypnotic state with pillows everywhere and dove into the pain as each contraction took over.

All
 night
   long.

And morning came. Again. This was getting old.
However…
Sun, light, open windows…
one more check…9 cm!
I remember shouting, Hallelujah!!  Yes!
There were even broken waters in the middle of another great heave, gushing with new life.

All motors started running again, enthusiasm took over all who had spent the night dozing on and off on the couch and chairs:
Let’s turn on the incense, put on the red-tinted light bulbs, fill the bathtub for pain relief and possible birth, this is it, this is IT!
Hope! Fully dilated, tub filled!
I was ordered out of the apartment to take a walk. Yes, a walk around the block on a Sunday morning after 2 sleepless nights and an entire day in labor, still having strong contractions, dripping amniotic fluid, hair a mess and a ghastly exhausted look on my face. But off I went, if it was going to help this along, I was going to do it…a very slow and intense walk around the block…in this absurdly ridiculousely bright sunlight I felt had nothing to do with my world at that moment. What was that, sunlight? Sunday morning? I felt like if on another planet completely.

We went back to the apt, and I got in the water, the wonderful, wonderful warm tub of water.
I was told – hey, from here on, you will start to feel the urge to push, go with the flow and do what your body tells you, ok? From now on she needs your help, she can't do it by herself! She’s going to be born!!

Ok, no problem, go with the flow, go with the flow,
And yet…
Where was the flow?
Absolutely no pushing urges.
Ok, that’s ok, it can take a while, they said.
And so some hours went by.
Humm, they said.
Are you sure? No pushing sensations?
No...
Absolutely sure??
Yes…well, ok..maybe? (I really wanted to be feeling something, ANYTHING, it seemed to be very important to them)
They started teaching me about this so-called-urge, push down there, breath and push down…Let’s lie on the bed so that we can watch you do it and see what's going on.

Of course, my mother got nervous once more and paced back and forth in search of “WHAT SHOULD BE DONE”  and what “WAS NOT BEING DONE”. She panicked, basically, and the midwives were panicking because there was this person questioning their every move and my labor was not progressing in a form they were familiar with. Nothing was going as they expected, but since I was still ok, and the baby was still ok, we were moving on (despite my mother wanting me to go the hospital ASAP. I don't blame her…but it made it tougher).  


Now the IV-part.
They explained:
Hey, look, you’ve been in labor a long time, we’re afraid your uterus might stop contracting due to exhaustion, we better be safe and hook you up to Pitocin just to get things moving along again (my time in the tub had seemed to slow everything down).

IV? Panic inside me, but hey, if this is what it takes, here we go, I am not going to be a baby and be afraid at this point, or show my fear.

IV?
PURE HELL.
The contractions came in little block formations, uniform, one after the other, like punches to my soul.
Punch, punch, punch, no time to breathe.
With each one I was coached: Breath! Push! Down! Push! More! There! Breath! Oh – no, not like that! You’re not doing it right! The frustration was palpable, doubt filling the room. 

And that lasted a while until I got fed up and exasperated, how could I be doing it WRONG if it was something that supposedly was an URGE, something that would take over me so strongly that no earthly force would be able to stop me? Shouldn't it all be natural?
Where was the urge? And I began doubting the whole process.
The IV was unhooked, I needed to rest, and everyone needed to regroup. Anxious midwives huddled in corners talking, avoiding my mother who paced back and forth in her anger and concern.
I went to the bathroom, where Ezequiel tried to give me a pep talk, about how much I wanted this, about how much we were close (we were able to see her head during the pushing, but it always scooted back up again when I was done). He started saying how I was being influenced by my mother and blablabla, Everything everyone said from there on had become one big drone.
One flat sound against a flat wall of me not being able to hear myself anymore.
There’s no shame in going to the hospital
Are you sure you don’t want to try the IV again?
You’re so close! Don’t give up!
You can’t do this anymore, you’ve done all you could
Droningdroningdroning.
I cried on the toilet, sad, pathetically drenched in sweat, naked and completely tired of caring who saw what or what I looked like. I felt like the apt had been divided into sides and I was on the verge of making one side win and the other one lose.
So fed up.  
I wanted it to be over.
I wanted it to be over.
Game over.

Meekly I said – hospital.
I was met with resistance, I think one of the midwives almost started crying, Frustrated, confused, mad?
Hospital please. I need this to be over.
I got in the car, feeling nothing at all, numb. I sipped on my Gatorade and had absolutely no concerns about feeling contractions in the car, as I knew it was over. And in fact, it was. No more contractions came.
Quick summary of hospital:
My OBGYN came, so nice, so kind, such a relief amidst all those worried and tired people who had seen me throw up too many times and had stuck their hands inside me too many times.
Are you sure, Maya, this is what you want? We can try Pitocin again.
No.
I was adamant, I was desperate, we would NOT try that again, it was absolute agony.
But even so, I think the nurses put it in as protocol (??) and as soon as I felt the contractions I started shouting like a 2 year old – DESPERATE!! No, no, no, no, what is this?! No, no, take it off, take it off!! I had lost all self-respect.

And it was off.
And I was gowned.
And I was injected with anesthesia….sweeeeeet anesthesia. I melted into the inevitable and the relief. Someone take care of it now, I am done. I put it all in your hands, sweet lady doctor.
Surgery.
Surrealness.
Baby coming out in less than 5 minutes, being shown to me, me saying “she’s real??” and then baby gone. Me gone. I started shaking, I started bleeding, I was in whole new world.

Hours later I stabilized. Hours shaking and watching the world from my horizontal viewpoint, watching Ezequiel pace back and forth with Cora tightly wrapped in hospital blankets (that’s right, we forgot to pack for the hospital, we had NOTHING). Grateful I didn’t have to hold her. I just wanted to lie there and never have to do anything ever again. Much less think about the fact that there was a baby to care for now. That was completely un-thinkable at that point.
Immediately after birth
Eventually we went up to the room, and that was the start of a whole ‘nother story. Breastfeeding began, blood transfusions took place, pain, pain pain and terrible c-section sensation when getting up, sitting up, lying down, going to the bathroom, uuughhhH!!)\

Our days at the hospital were pretty much me and this face…exhausted.
One day I’ll get to chapter 2, as I know the ending has left many questions and a sense of sadness, but it was sad for me, as well as abrupt -

- so nothing more appropriate.

Just to end with something beautiful, this was the last day at the hospital, ready to go.